Parece fake News, mas o Brasil gosta tanto de piada pronta que, no Dia das Mães, a doçura da lei fez com que Susana Von Richtofen e Ana Carolina Jatobá fossem passar a data em família. A primeira foi condenada a 39 anos de prisão por planejar a morte dos pais. A segunda, também considerada culpada após julgamento pela morte da enteada, Isabella Nardoni. Uma das tantas excrescências que nenhum juridiquês carregado de latim é capaz de nos fazer compreender. Mas não é disso que quero falar.
Nunca entendi porque minha mãe não dormia enquanto eu não voltava para casa. A partir da adolescência, como qualquer jovem, passei a voltar tarde muitas vezes. Outras só no dia seguinte. E lá estava ela. A hora que fosse, ela estava acordada. Eu podia tentar fazer o maior silêncio, tipo show do João Gilberto, que não tinha jeito dela não saber. De alguma forma, as mães sempre sabem tudo.
A Antônia chegou, e minhas inquietações terminaram. Claro, outras várias começaram, mas o que aconteceu foi que passei a entender a falta de sono da minha mãe. Só as mães são felizes, disse a Lucinha, mãe do Cazuza. Isso que ela sentiu na pele as agruras de criar uma figura ímpar, de personalidade forte, de uma vida intensa, recheada de exageros. Foi ela que esteve ao lado dele desde a descoberta da doença até a morte em decorrência da AIDS, até então um vírus desconhecido.
Tenho a impressão que o sono da mulher termina no exato momento que nasce uma mãe. Depois disso, a vida e as noites são uma insônia permanente. Primeiro, para ver se o bebê está respirando, com o pescoço reto, fralda seca… Depois, se está tapado, ou suando. E assim, a cada ano que passa, novas preocupações. E não termina nunca porque, para as mães, somos sempre Peter Pans, eternamente crianças. Não existem mães tranquilas. Nem indiferentes. Não existe mãe meia boca. As mães não relaxam, não se distanciam. São inquietas, aflitas, zelosas. As mães são criaturas abençoadas com uma dádiva: amar incondicionalmente, sem limites, pudores ou ressalvas. Pode-se amar das mais variadas formas. Não se pode amar mais que uma mãe.

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