Vladimir Herzog era um jornalista e dramaturgo que sonhava em ser cineasta. Sonho abreviado no dia 25 de outubro de 1975, um sábado, em um antigo prédio da rua Tomás Carvalhal, no bairro do Paraíso, em São Paulo. Ali, Vladofoi morto após sessões de tortura por agentes do Destacamento de Operações de Informações, órgão subordinado ao Exército. Herzog era diretor de jornalismo da TV Cultura e apresentou-se naquele dia após um acordo. Na noite anterior, dois agentes do DOI-CODI haviam estado no seu local de trabalho, investigando suposta ligação com o Partido Comunista Brasileiro. Durante décadas, a versão oficial era de que havia cometido suicídio. Apenas em 2013, uma nova certidão de óbito atestava a morte em decorrência de “lesões e maus tratos”. Ah, os eufemismos. Herzog morreu enforcado depois de tanto apanhar.
Zuleika Angel Jones, Zuzu Angel, foi uma estilista brasileira de projeção internacional na década de 70. O filho, Stuart, era estudante de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e era contrário ao regime militar. O jovem desapareceu em um 14 de junho de 1971. Vários relatos indicaram que ele havia sido preso pelo exército, mas o corpo nunca foi encontrado. Zuzu passou a dedicar sua vida à procura pelo filho. Mas em 14 de abril de 1976, morreu em um acidente automobilístico, até hoje em circunstâncias não esclarecidas.
Agora, arquivos secretos da CIA revelam que o Presidente Geisel sabia dos assassinatos que ocorriam durante seu governo (1974 – 1979). De acordo com o serviço de inteligência norte-americano, era o Presidente que muitas vezes autorizava a matança. O Presidente do Clube Militar, General Antônio Hamilton Martins Mourão, pergunta, “a quem interessa vazar isso?”
A resposta não deveria suscitar nenhuma dúvida: A todos nós brasileiros, ora. Afinal, se tivemos um Presidente que autorizava e (ou) era conivente com assassinatos à sangue frio, temos todo o direito de saber. A história serve para duas coisas, fundamentalmente. Repetir o que deu certo e abolir o que estava errado.Até quando vamos fingir que nada vimos ou sabemos? Não se trata de caça às bruxas. É uma questão de respeito, dignidade e direitos humanos. Por Zuzu, Herzog, pelos que aqui ficaram, por tantas lágrimas derramadas. Por todos que acreditam em uma nação ordeira, democrática e pacífica.

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