Se as projeções se confirmarem, devemos ter as eleições com maior número de candidatos à Presidência da República desde a reabertura democrática. Em 1989, foram mais de 20 opções na cédula para matar a saudade depois do jejum das urnas promovido pela ditadura militar. Tinha esquerda, direita, centro. Jovens, experientes, radicais e moderados, tinha de tudo.
Mário Covas era o representante da social-democracia, recém geradora do PSDB no estado de São Paulo. Leonel Brizola era o ícone trabalhista que botava o dedo na cara da família Marinho e prometia a defesa dos “interésses” nacionais. Enéas Carneiro era a extrema direita, verborrágica e furiosa até no jeito de falar. Fernando Gabeira, o pacifista e ambientalista do Partido Verde. Tinha muito mais. Roberto Freire, Afif Domingos, Ronaldo Caiado, apenas para citar três que ainda figuram entre ministérios e Congresso até hoje. No frigir dos ovos, Lula e Collor foram para o segundo turno. O primeiro, um líder sindical que prometia endurecer com o Fundo Monetário Internacional até perdendo a ternura se preciso fosse, na sua primeira tentativa de levar um representante do proletariado ao Planalto. O outro, um aristocrata alagoano boa pinta, jovem, oriundo de um partido recém-criado, que prometia caçar marajás, ou seja, cortar privilégios. O resto da história a gente sabe.
Quase 30 anos depois, podemos ter dezenas de candidatos uma vez mais. Só que agora estamos mais exigentes, ou decepcionados, ou os dois. Basta conversar com amigos, parentes ou colegas para evidenciar a desilusão dos eleitores com os nomes postos no cardápio. Recente levantamento do instituto Datafolha dá conta que quase um quarto dos entrevistados pretende anular o voto em outubro deste ano.
Quais seriam as causas? O descrédito dos políticos, da política, da nação como um todo? Haveria um nome de fora dos citados para reverter este prognóstico? O que, esperamos, enfim, de um Presidente? Sabemos o que não queremos. E ainda que não nos encante, sempre há o menos pior. A indiferença com os candidatos espelha o problema de uma sociedade que não se vê representada pelas lideranças políticas. Como se resolve? A resposta é complexa. Muito maior que uma simples troca de nomes. A democracia ainda é um processo recente. Vamos melhorando, aprendendo. Assim espero…

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