Começou mais uma Copa do Mundo e lá estão 32 países envolvidos em uma competição dentro dos gramados e milhões de pessoas (ou bilhões?) fora deles torcendo para alguma seleção. Futebol é só um esporte mas, ao mesmo tempo, é mais que isso. Desperta paixões, ódios, alegrias e ressentimentos. Pessoas são capazes de matar por causa do futebol. Na Inglaterra, foi necessária uma força tarefa para resolver o problema dos Hooligans que usavam o esporte como um falso escape para suas frustrações cotidianas em forma de violência. No Brasil, ainda há o problema de parte dos integrantes de torcidas organizadas que se prometem nas redes sociais e se procuram em dias de grandes jogos.
Com isso, os próprios clubes e o Ministério Público vêm aumentando a pressão para que, em clássicos regionais, o jogo tenha torcida única. Pode ser necessário, reconheço, mas é a falência da nossa capacidade de conviver com os diferentes. Diz muito sobre a intolerância e a incapacidade de aceitar outras cores e credos. E assim, empurrados pelos algoritmos do Facebook, ficamos cada vez mais próximos de quem nos é parecido e distantes de quem de nós diverge.
Recentemente, a Federação das Entidades Empresarias do Rio Grande do Sul anunciou um painel com pré-candidatos ao Governo do Estado. E, na lista, ficaram de fora aqueles considerados de esquerda. Anton Karl Biederman, ex presidente da entidade, ao longo dos seus 95 anos, não tardou a lamentar a decisão excludente. Evidente que é legítimo que a entidade de classe tenha suas posições, e elas são sabidas, entretanto, já passamos do ponto de rotular governos canhotos de inimigos dos empresários. Será que a CUT só pode fazer um painel com PT, PC do B, Psol e afins, e a Federasul com DEM, PP, PSL? E o centro fica onde?
Essa divisão extremada é que nos tem custado caro. Tapamos os ouvidos para quem fala em outro tom. Fechamos os olhos para outras cores. E gritamos quando nos achamos donos da razão. Tipo casa da mãe Joana. Ou todos falam ao mesmo tempo e ninguém se entende, ou cada um vai para o seu quarto. Não sentamos mais na mesma mesa. Cada um fica na sua. Com os seus interesses. E privilégios. A tecnologia encurtou caminhos. E, paradoxalmente, estamos cada vez mais distantes.

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