Tão interessantes quanto os jogos são as histórias que uma Copa do Mundo nos revela. Hábitos, culturas e características de povos de todos os continentes nos são desnudados no entorno do que se passa nos gramados. Entre o cabelo do Neymar, a pele do Alisson e a visita da Bruna Marquezine, há coisas que nos prendem a atenção por merecimento.
Secamos a Argentina torcendo pelo ferrolho de uma nação estreante em copas, mas experiente em batalhas. Vem do norte da Europa a destemida Islândia, de jogadores altos, fortes e quase amadores. O treinador é dentista, e o goleiro, bem abaixo dos 110 quilos que portava há 10 anos, cineasta. Isso pouco importa para um povo forjado a ferro e fogo com espírito Viking. Um país com menos de 350 mil habitantes, do tamanho de uma cidade de porte médio no Brasil, capaz de contrariar prognósticos com a valentia de um Davi. Enfrentar Messi é que não seria de perder o sono.
Agora, campeões mesmo os islandeses são em tratamento às mulheres. O país é há 9 anos considerado o de menor desigualdade de gênero no mundo. Lá, a lei proíbe que mulheres recebam menos que os homens ao realizarem tarefas iguais. Em 1980, os islandeses confiaram a uma mulher a Presidência da República. E, em 2009, elegeram a primeira chefe de estado assumidamente homossexual. Para os islandeses, o que uma pessoa faz na sua vida íntima não interessa a mais ninguém. Incrível, não?
Já por aqui, uma pesquisa do instituto de empregos Catho, realizada neste ano, revela que no Brasil a diferença entre o que é pago a um trabalhador pode variar até 53% conforme o sexo. E quanto mais alto o cargo, maior a desigualdade.
Um país gelado, cercado por vulcões, às margens do Círculo Polar Ártico, modelo no uso de energias renováveis. Tomara que possamos escapar do enfrentamento com esses nórdicos bárbaros. Estamos com traumas da última Copa e a amostragem até aqui revela que temos muito a melhorar. E se a comparação descambar para o extra campo, aí o 7 x 1 vai ser nada, perto do quanto somos atrasados em relação aos Vikings progressistas. Melhor pegar o Irã.

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