Em 1970, tínhamos 90 milhões de treinadores. Quase 50 anos depois, a população brasileira dobrou e agora temos 200 milhões de ministros do Supremo Tribunal Federal. O brasileiro pensa que sabe tudo. E o pior, tem certeza do que não sabe. Antes fosse apenas uma impressão minha. Mas são dados científicos.
Foi o que revelou uma pesquisa do Instituto britânico Ipsos Mori, que no ano passado ouviu quase 30 mil pessoas em 38 países do mundo todo. As conclusões foram destacadas em recente edição do jornal Zero Hora. Em suma, o objetivo era descobrir qual a percepção que os habitantes têm do país onde vivem. Os brasileiros ficaram na vice-liderança, apenas perdendo para a África do Sul, no quesito “falta de noção” sobre o país e seus dados sociais e demográficos.
Vamos aos números, para exemplificar. Quando perguntados sobre “qual o percentual de mulheres que dão à luz com idade entre 15 e 19 anos a cada ano?”, a resposta ultrapassou os 48%. O índice real é de 6,7%. Diferença pequena, né? Outra então. Os entrevistados pensam que o índice de pessoas com diabetes no Brasil com idade entre 20 e 79 anos é de 47%, quase a metade da população, bem acima dos números verdadeiros, na faixa dos 10%. E há outros vários testemunhos de que nós não sabemos nada sobre nós mesmos. Agora, um dado para rir e chorar. Os pesquisadores quiseram saber de todos os entrevistados qual o nível de confiança que tinham em suas próprias respostas. E os sabe-tudo brazukas tiveram um percentual de 21%, bem acima de suecos e noruegueses, países em que a população chegou mais perto da percepção sobre a realidade local.
Isso ajuda a entender como podemos palpitar tanto sobre o que não sabemos. Vem sendo assim. Eu, que não me considero exatamente um imbecil, assisti ao voto da ministra Rosa Weber e não entendi patavinas. Confesso sem vergonha alguma. Difícil, portanto, analisar do ponto de vista jurisdicional se Lula deveria estar preso ou não. Ao menos para mim. Os feitos políticos e as conquistas sociais não se apagam. Mas não era isso que estava em votação. Não dessa vez. Fez-se justiça? Espero que sim. Porque a prisão de um inocente traz consequências irreparáveis. Neste caso, até incalculáveis.

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