Dizem que os agrotóxicos são responsáveis pela volumosa produção agrícola brasileira, que alimenta grande parte do planeta. Afirmam também que sem os pesticidas as pragas devastariam as lavouras. Argumentam, ainda, que a população despreza frutas e legumes cuja aparência não é perfeita. Esquecem de dizer, no entanto, que o agrotóxico, ou seja, o veneno, utilizado nas plantações não afeta apenas as indesejáveis pragas, mas, também, a saúde do agricultor e de todos que se alimentam dos frutos deste solo, tão rico, porém, maltratado na mesma proporção.
Na edição do último final de semana e de hoje abordamos esse grave problema. O que já é alarmante está próximo de tornar-se ainda pior. Enquanto os brasileiros – com todo direito – torcem pela Seleção Canarinho, na Câmara de Deputados, foi dado andamento no projeto apelidado de “PL do Veneno”, que, entre outras coisas, facilita a provação de novos pesticidas no Brasil. Tudo ao gosto da bancada ruralista. Vale lembrar que o Brasil já utiliza mais veneno em suas plantações que o resto do mundo e que aqui já são liberados pesticidas proibidos em outras nações por risco à saúde.
A produção agrícola brasileira tem importância mundial e seu sucesso impacta diretamente no fechamento das contas do País. É compreensível que os produtores desejem reduzir perdas cada vez mais. Mas a que preço? Será mesmo que os países que mantêm regras rígidas para uso desses pesticidas e privilegiem os orgânicos não desejam produzir mais?
É provável que eles queiram, mas prefiram não expor seus trabalhadores e consumidores aos riscos inerentes nessa prática tão irresponsável. Décadas à frente nós contabilizaremos os efeitos dessa alimentação na saúde de nossa população.

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