Aconteceu o que todos previam. As três maiores centrais sindicais do país (CUT, Força Sindical e UGT) deixaram de arrecadar, neste ano, cerca de R$ 100 milhões em contribuição sindical. A queda, em torno de 90% em relação aos valores de 2017, é resultado do fim da obrigatoriedade de recolhimento do imposto, uma mudança inserida na reforma trabalhista, em vigor desde novembro. Estas entidades ficavam com 10% do valor amealhado pelos sindicatos relativos a um dia de salário de cada trabalhador.
Sexta-feira, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de manter o fim da cobrança compulsória, praticamente eliminou a tentativa das entidades sindicais de suspender a medida, com alegação de que era inconstitucional. Agora, sindicatos, federações, confederações e centrais – que dividiam parte da arrecadação do imposto -, terão de buscar outras alternativas para manter seus custos.
Ao incluir a medida na reforma trabalhista, obviamente, o governo atendeu a pressões dos grandes empresários para enfraquecer as entidades que defendiam os seus empregados. Contudo, vale lembrar que o fim do desconto compulsório precisa ser solicitado pelo funcionário. Ou seja, ele pode escolher. Se a maioria resolveu suspender a entrega do valor é porque não considera sua entidade importante ou capaz de realmente lutar por eles.
Não é apenas a falta de consciência do trabalhador sobre a importância dos sindicatos que levou a esta situação. Ao longo dos anos, muitas destas entidades perderam o foco e passaram a atuar como apêndices e até financiadores de partidos políticos. Agora chegou a hora de recuperar a credibilidade. Se era ruim com os sindicatos, para a maioria das categorias, será pior sem eles.

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