Se dependesse da maioria da população brasileira, o País passaria hoje mesmo a matar os seus criminosos. A constatação do Instituto Datafolha traduz as facetas de uma sociedade que acredita cada vez menos nas instituições e, paralelamente, cultua, cada vez mais, a intolerância, o individualismo e o extremismo. A pesquisa soa como um grito de desespero, porque, de um lado, a nação registra recordes de homicídios, mas, de outro, não tem políticas públicas capazes de frear os números. Conforme a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil tem a sétima maior taxa de homicídios de jovens de todo o mundo.
Compreende-se que a população queira respostas mais efetivas do poder público. Entretanto, a adoção da pena de morte não faria nosso país muito mais seguro. Antes de medidas extremas, é preciso exigir que o Estado cumpra suas atribuições, ou seja, que seja eficaz na investigação policial, no processo judicial e no cumprimento da sentença. As penas precisam ser duras e cumpridas à risca, mas temos falhado muito neste aspecto.
No calor da emoção, poucos analisam os motivos pelos quais temos gerado tanta violência no cotidiano. Será que as famílias, pais e mães, cumprem suas responsabilidades perante seus filhos? Será que o sucateamento da escola pública não contribui para a criminalidade? E o nosso individualismo de cada dia também não coloca lenha na fogueira? O que temos feito pelo coletivo e pela segurança pública? É necessário olharmos para dentro de nós mesmos antes de, desesperadamente, apontarmos culpados.

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