Mais do que uma data para entregar flores e chocolates às mulheres, o 8 de março é um dia para repensar as conquistas já alcançadas e o que ainda falta para que elas tenham os mesmos direitos que os homens. E ainda falta muito.
Mesmo já tendo passado mais de cem anos do incêndio em uma fábrica têxtil nos Estados Unidos, em que 130 funcionárias morreram carbonizadas – e pelo qual se celebra o Dia Internacional da Mulher, os salários menores do que os dos homens e as jornadas duplas – ou triplas, ainda acontecem. Ainda ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou uma pesquisa que mostra que mesmo com a qualificação e funções iguais, as mulheres ganham, em média, 75% do que os homens recebem.
E ainda há o assédio, a ideia de que ela é obrigada a assumir, sozinha, as responsabilidades sobre a casa e os filhos e a violência doméstica, que diariamente mata mulheres em todo o país. Será que há mesmo o que comemorar? Não sejamos hipócritas. Claro que já evoluímos em vários aspectos, mas ainda falta muito a ser conquistado por elas.
Ser mulher, hoje, é não poder ser feminina demais, masculina demais, competente demais, tranquila demais. Ser mulher é precisar pensar mil vezes no visual, na forma de falar, na maneira de se impor. E aí, no final, ouvir piadas sobre o quanto demora para se arrumar, e como é indecisa. Ser mulher é sair na rua à noite com medo de ser estuprada (e não assaltada, como temem os homens) e ser tachada de frágil e indefesa.
Nesse Dia da Mulher, não dê flores – ou pode dar, porque é bonito – mas procure agir de forma diferente. Respeite as mulheres que você conhece e fale o quanto elas são admiráveis e fortes. Reconheça o valor dessa mulher e lute com ela pelas suas conquistas. E às mulheres, unam suas forças para conquistar cada vez mais o que é seu de direito.

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