Pessoas mais humildes, que não tiveram a chance de estudar e vivem num ambiente onde o trânsito de informações é limitado às redes sociais, estão servindo de massa de manobra a espertos que pretendem ganhar muito mais do que a redução do preço dos combustíveis com a greve dos caminhoneiros. Pelo Whats app e Facebook, difundem a estapafúrdia ideia de que é possível uma “intervenção militar constitucional” no país para derrubar o governo e entregar o poder aos militares.

Trata-se, obviamente, de um estelionato intelectual. A Constituição e as leis que a regulamentam são claras ao explicar que as Forças Armadas servem para defender o país de agressões externas e garantir os “princípios constitucionais” da República. Também diz que o presidente da República, seja ele do PT, do PSDB, do PMDB ou de qualquer outra legenda, é o comandante em chefe do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Logo, só podem sair dos quartéis quando forem convocados por ele para garantir o cumprimento da lei. Qualquer ação fora destas regras é golpe de Estado.

Felizmente, os generais de hoje são diferentes daqueles que, em 1964, tomaram o poder e, rasgando a carta magna, só o devolveram aos civis 21 anos depois. Na época, como agora, parte da sociedade defendia que eles derrubassem o então presidente João Goulart e convocassem eleições, momento no qual retornariam à caserna. Contudo, tomaram gosto pelo poder e passaram a perseguir, prender, torturar e até a matar quem queria ver restabelecido o direito ao voto.

Se os militares, ou pelo menos a maioria deles, sabem que aquilo foi um erro, pelo visto não existe a mesma consciência entre os cidadãos, que preferem lavar as mãos, entregar o poder a terceiros a ter de aprender a votar. Aliás, uma manifestação como a dos últimos dez dias jamais seria possível num regime de exceção. A Democracia tem, ela própria, o remédio para cada um de seus males. E, por favor, parem de mentir para a população.

Compartilhar

Deixe seu comentário