O brasileiro médio, aquele que pratica a honestidade como valor e tem no trabalho sua única fonte de renda, não aguenta mais a impunidade. Na verdade, andamos todos “até as tampas” com os episódios de corrupção que brotam nos noticiários diariamente como erva daninha depois de uma chuva de verão. A indignação é tanta que muitos já não toleram, sequer, dividir o mesmo ambiente com quem participa de assaltos sistemáticos aos cofres públicos.
Desde o fim de semana, vídeos que circulam nas redes sociais mostram o empresário Wesley Batista, da JBS, pertencente ao grupo J&F, sendo hostilizado dentro de um restaurante no Itaim Bibi, bairro nobre da Zona Sul de São Paulo, ao ser confundido com o irmão Joesley Batista. O protesto de frequentadores da churrascaria ocorreu na tarde de domingo, dois dias após Joesley deixar a carceragem da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, seguindo decisão judicial que determinou a soltura dele. Os dois irmãos são acusados de participar de um esquema de corrupção envolvendo o governo federal.
Nos vídeos, é possível ouvir gritos de “fora, ladrão”, “fora, Joesley”, “palhaço”, “vagabundo” e “vai pra casa, ladrão’. Enquanto isso, Wesley aparece sentado a uma mesa acompanhado de outras pessoas. Após o protesto, o empresário deixou o restaurante acompanhado de policias militares.
Outras figuras da República também pegas em malfeitos já viveram situações semelhantes, como o senador Romero Jucá. São a prova de que a sociedade realmente chegou ao seu limite e povo brasileiro, sempre cordato e gentil, também tem sangue que ferve nas veias diante da injustiça e da safadeza. Obviamente não se está defendendo o linchamento daqueles que estão sendo processados, mas é um alento perceber que as pessoas, ainda que em episódios isolados, começaram a reagir. Viver neste país, às vezes, requer um desabafo.

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