Na edição de hoje, apresentamos a produção do açaí juçara na localidade de Muda Boi. Essa é uma fruta que, mesmo que ainda não seja produzida em Montenegro com fins econômicos, tem grande potencial como geradora de renda. No litoral gaúcho, afinal, o exemplo é claro. Uma cooperativa de agricultores familiares de lá chega a arrecadar R$ 150 mil bruto em um ano. E a procura pela polpa da fruta para consumo só cresce.
Potenciais de diversificação da produção primária aqui no município, aliás, já vêm estampando nossas páginas há um bom tempo. Indo além dos citros, já trouxemos exemplos de agricultores montenegrinos trabalhando com produção de peixes, gado semiconfinado, morango e verduras diversas. Já contamos sobre o cultivo de plantas medicinais e até de plantas comestíveis, sem falar em iniciativas inovadoras, como a do manejo agroflorestal e uma iniciativa de “colha e pague” posta em prática em Costa da Serra. Tudo isso também é Montenegro.
Um município não precisa ser reconhecido só pela produção de uma cultura. Nada de errado nisso, mas se existem iniciativas prósperas que exploram diferentes possibilidades, elas devem ser celebradas e incentivadas. A diversificação faz bem para o produtor, faz bem para o meio ambiente e faz bem para a economia.
Mas é de se pensar, no entanto, no quanto esse incentivo existe e no quanto ele pode melhorar. Se, por um lado, há a assistência da Emater – com financiamento principal do Estado – que presta uma importante consultoria aos produtores locais, principalmente com estudos sobre a diversificação de cultura, as iniciativas no meio rural seguem esbarrando nos mesmos problemas, que já vêm de anos. Faltam boas estradas. Falta internet. Falta até iluminação pública. Se a falta de atenção é um empecilho mesmo para os produtores de citros – que já estão bem estabelecidos na economia local – o que dirá para quem quer se arriscar em fazer algo diferente.

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