Atraídos pela oportunidade de trabalho na maior indústria do Montenegro, os muçulmanos chegam no município sem conhecimento do idioma brasileiro, uma barreira para vencer outros obstáculos. Em seu mercado de exportação, a JBS tem clientes de países onde predomina o Islamismo e exigem que o abate das aves seja realizado por seguidores dessa religião.
Por isso, não raro os montenegrinos cruzam com mulheres com a cabeça coberta por véus nas ruas. Essa forma de vestir é a diferença mais visível e conhecida entre os brasileiros e os migrantes, mas está no idioma o maior obstáculo para a integração. Isso porque a grande diferença na linguagem dificulta a comunicação, que é fundamental para vencer barreiras naturais encontradas por quem chega a um país tão diferente do seu.
A história de uma família de muçulmanos, oriunda de Bangladesh, que mudou há pouco mais de um ano para o município, é exemplo. Em reportagem publicada em fevereiro do ano passado, eles só falavam em Bengali. Até mesmo o pai, que veio para o Brasil antes, conhecia pouco a nossa língua. Agora, um ano depois, a diferença é grande. Eles já se sentem mais à vontade e, embora ainda não dominem totalmente o Português, principalmente na escrita, estão adaptados.
Nessa ambientação, percebe-se a hospitalidade dos montenegrinos, uma característica comum dos brasileiros em geral. Com o esforço de vizinhos, conhecidos e das escolas onde as crianças e adolescentes estudam, a família se sente acolhida e planeja fincar raízes em Montenegro. Uma demonstração de que, com solidariedade e respeito, é possível conviver em harmonia com as diferenças, sejam de crença religiosa, políticas ou culturais.

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