A morte nunca é fácil de encarar. Sobretudo quando ela não tem a preparação que um período de doença traz. Pois é justamente nesses casos – vítimas de acidente vascular cerebral (AVC) ou de traumatismo por conta de acidentes – que ocorrem os casos chamados de morte encefálica. Os órgãos ainda funcionam, mas o cérebro que lhes comanda, não; e é questão de tempo para que tudo pare. A escolha pela doação por parte de quem passa pela perda de um familiar é uma lição de altruísmo vista duas vezes em uma semana, em Montenegro.
Fátima Kuhn dos Santos mostrou força e serenidade o bastante para permitir que seis pessoas recebessem os órgãos de seu filho, morto num acidente de trânsito aos 17 anos. Ela disse se tranquilizar por saber que ele não ficaria no mundo sofrendo. Mas dona Fátima fez mais do que isso. Ela cessou o sofrimento de outras seis vidas. A grandiosidade desse ato merece mais do que aplausos. Pede por reflexão.
O fato do HM ter conseguido duas captações em fevereiro não é algo nascido ao acaso. Houve empenho em uma campanha de conscientização da comunidade, apoiada por várias instituições, entre elas o Ibiá. Captar órgãos nunca será objeto de comemoração, afinal esse é sempre um momento doloroso. Mas fazer dessa dor a origem para uma série de sorrisos é, sem dúvida, a decisão mais nobre e altruísta que um ser humano pode ter. Jamais torceremos para que o Hospital Montenegro receba potenciais doadores de órgãos. Mas, caso aconteça, esperamos desfechos como os vistos recentemente.

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