A sociedade está em constante transformação e, nas últimas décadas, a mudança no perfil das famílias inclui novas divisões de responsabilidades. Está distante a época em que o cuidado com os filhos cabia às mulheres e, aos homens, o sustento da casa. Com as conquistas de direitos, ambos passaram a dividir essas responsabilidades.
Com a mãe e o pai trabalhando fora, o cuidado com os filhos passou a ser dos dois. E com quem ficam as crianças enquanto eles trabalham? As alternativas incluem recorrer a algum familiar, contratar uma babá ou – talvez a mais comum – deixá-los em uma escola de Educação Infantil.
O recente episódio de denúncia de agressão na EMEI Descobrindo a Vida, em Maratá, reacende o debate em torno da segurança das crianças. É cada vez mais comum o uso de câmeras de monitoramento nessas instituições, mas de nada valem se não forem vistas com frequência, tanto pelas direções das escolas, como pelos próprios pais. E a reflexão sobre a segurança das crianças não se restringe às creches, pois mesmo em casa os riscos existem, seja por babás ou pelos próprios pais.
Percebe-se, no entanto, que as pessoas em volta, mesmo presenciando atos de agressão ou comportamento suspeito, optam pelo silêncio. Preferem “não se incomodar” a denunciar. E isto não se restringe a colegas de trabalho nas escolas, mas inclui vizinhos que, mesmo presenciando uma situação de violência, escolhem se calar, com receio de se comprometerem.
É importante lembrar, no entanto, que as crianças são indefesas. Ficar em silêncio não ajuda em nada, apenas torna o cidadão conivente com atos de agressão cometidos pelos pais, por professores ou por cuidadores, enfim, por pessoas que deveriam zelar pelo bem-estar dessas crianças.

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