Depois que o Mensalão foi descoberto e a Operação Lava Jato começou a triturar a biografia de dezenas de políticos e a colocar vários deles na cadeia, a sociedade brasileira imaginava que os casos de corrupção iam finalmente diminuir no país. Porém, parece que a safadeza e a necessidade de roubar adquiriram proporções endêmicas e nem mesmo o risco de parar atrás das grades é capaz de conter o apetite de certas figuras aboletadas em órgãos públicos. Ontem, o ministro do Trabalho, Helton Yomura, um dos alvos da terceira fase da Operação Registro Espúrio, foi afastado do cargo por decisão do Supremo Tribunal Federal.
Yomura foi alvo de busca e apreensão nos desdobramentos de uma ação que vem investigando desvios no MT relacionados à concessão do registro sindical. O agora ex-ministro é apadrinhado político do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) e de sua filha, a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ). Ambos, inclusive, “caíram” nas primeiras fases da Registro Espúrio e, assim como o “afilhado”, teriam recebido irregularmente dinheiro para facilitar o registro de entidades classistas.
Estamos diante de mais um clássico caso de propina, com agentes públicos, da estrita confiança do presidente da República, cobrando “pedágio” para agilizar a tramitação de processos ou para “fechar o olho” quando a lei não é cumprida à risca. A pergunta é: por que isso continua ocorrendo se tantos outros já foram flagrados em práticas semelhantes e estão respondendo pelos seus atos.
A resposta a este questionamento é simples e inquietante: porque a maioria deles segue livre, usufruindo os frutos de seus golpes. A legislação brasileira é tolerante demais com a corrupção. Aqueles que são flagrados até podem ir para a cadeia, mas logo acabam soltos e gozam os frutos dos crimes que cometeram. Enquanto isso não mudar, nem dez Lava Jato vão resolver o problema.

Compartilhar

Deixe seu comentário