O Conselho Municipal do Idoso confirma que Montenegro não foge à regra de tratar os idosos com descaso. De alcance mundial, o problema, infelizmente, permanece muito presente mesmo já tendo se passado 15 anos da promulgação do Estatuto do Idoso no Brasil. As razões são basicamente duas: não se tem políticas públicas para que a legislação seja cumprida na prática e, infelizmente, falta consciência, fraternidade e até senso de convivência a uma parcela significativa da sociedade, que não respeita o público da terceira idade. Não é à-toa que um em cada seis idosos sofreu algum tipo de abuso, no ano passado, no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. É um mal silencioso que, dia após dia, corrói a dignidade de se viver pacifica e sossegadamente a última etapa da existência.
O desalento ganha força quando se verifica que os maus-tratos, na maioria das vezes, não envolvem pessoas estranhas nem distantes. Lamentavelmente, são comuns os casos em que os abusos partem de membros da família. Mais uma vez, a sociedade cobra do poder público responsabilidades que ela mesma não cumpre, em mais uma conduta totalmente hipócrita. A rede de proteção, portanto, apresenta falhas graves mesmo nos direitos mais básicos.
Para resistir à violência, ao desrespeito e aos abusos aos idosos, a população precisa acreditar nas instituições e acompanhá-las para que funcionem adequadamente. Cobrar do prefeito o que o governo tem feito pela terceira idade, sobretudo programas que incentivem uma maturidade ativa e saudável. Questionar os vereadores se eles têm atuado na proposição e na fiscalização de instrumentos legais de proteção aos aposentados, se o cumprimento das normas de acessibilidade tem avançado e por aí em diante.
Não menos importante, contudo, é cada um fazer uma autocrítica e refletir quanto à forma como tratamos os velhinhos, seja na rua, seja dentro de casa. Nunca é demais lembrar que, por mais que demore, nós, um dia, estaremos no lugar deles.

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