O governo federal suspendeu a proposta de emenda à Constituição da reforma da Previdência. Ele sentiu o calor das ruas contra essa verdadeira barbárie, que iria liquidar com o direito da aposentadoria e matar os sonhos da nossa juventude.
Foi um longo entrevero. Mas não ganhamos a guerra. Os nossos olhos devem ficar atentos aos movimentos das peças do xadrez. Até porque o governo pode voltar ao ataque depois das eleições.
Realizamos audiências públicas nos 26 Estados, no DF e nas principais cidades gaúchas. Foram meses de estradas, chuvas e sóis.
A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social foi um dos esteios em todo esse embate. Ela teve papel fundamental na agregação de forças. Logo depois, veio a tão sonhada CPI, que por anos e anos tentamos instalar. Por seis meses, trabalhamos arduamente, ouvimos técnicos, professores, doutores, economistas, trabalhadores, empresários, fiscais previdenciários, entidades, governo e parlamentares.
O relatório foi preciso: a Previdência é superavitária e a reforma não tem motivo para existir. Estávamos, portanto, diante de uma grande farsa com o objetivo de entregar a “galinha dos ovos de ouro” às mãos do mercado financeiro.
A CPI teve a ousadia de mexer no vespeiro das sonegações, desvios, roubalheiras, corrupções e compadrios. Trilhões de Reais deixam de entrar todos os anos nos cofres da Previdência. Essa verdade é tão clara que o próprio líder do governo votou favorável ao relatório. O problema do sistema é de gestão, administração e fiscalização.
Recentemente, ajuizamos no STF um mandado de segurança com o objetivo de proibir a tramitação de emendas constitucionais enquanto perdurarem os motivos da intervenção no RJ. Segurança pública, sim! Reforma da Previdência, não!
Essa batalha vencida só foi possível graças à mobilização da sociedade e de toda a “rapaziada”, aquela mesma do Gonzaguinha que voa como os pássaros na amplidão do céu liberto e busca um Brasil democrático, justo e igualitário.
A solidez da democracia e esse Brasil brasileiro que buscamos só serão alcançados com os sonhos coletivos nas ruas e com o galopar dos potros enfrentando os ventos. A escolha é de cada um, mas a luta é nossa.

Paulo Paim
Senador do PT-RS

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