Em nosso país, o inverno é uma das marcas fortes do Rio Grande do Sul. Tenho um gosto especial por esta estação do ano. Talvez porque recordo de momentos marcantes da infância, quando de noite eu deixava uma bacia com água no pátio, para que, no outro dia, de manhã cedo, pudesse ver o resultado da ação da natureza, com uma camada espessa de gelo que havia se formado. Além de caminhar na grama congelada pela geada, ouvindo aquele craquelar a cada passo dado. Para ir à escola, já dispúnhamos de congas e kichutes, o que era um luxo na época. Por essas e outras recordações gostosas, como ter a família reunida ao redor do fogão à lenha, acredito que prefira o inverno ao invés do verão escaldante.
Volta e meia me deparo com alguém que sente prazer em recriminar os amantes do frio, afirmando que esta estação é terrível para os necessitados e, por isso, quem gosta do inverno passa a ser uma espécie de vilão. Mais uma chatice do politicamente correto.
Com veemência, refuto essa leitura da realidade gaúcha com um único argumento: o clima da região subtropical é este. Ponto. Eu gostando do frio ou não, não mudará o clima do sul do Brasil. O que nos cabe fazer, e isso sim é papel de quem se importa com o próximo, é uma limpeza nos armários e doar roupas quentes, calçados e cobertores dos quais não necessitamos na nossa casa. E como vivemos num mercado consumidor intenso, a grande maioria das pessoas com estabilidade financeira têm várias peças de roupas que podem ser doadas a cada ano. Façamos isto! Doem o máximo de roupas e calçados que puderem! Na nossa casa, já o fizemos antes do frio começar.
Tenho muito respeito pelas ações da natureza, quase sempre resultantes do clima. Lembro de uma manifestação não climática que deixou toda a Europa refém em 2010, quando na Islândia entrou em erupção o Vulcão Eyjafjallajökull, e interrompeu praticamente a circulação de todas as aeronaves daquele continente por alguns dias. Tão imponente como o seu nome, também foi o resultado da ação desse vulcão, para que o homem tivesse a possibilidade de repensar o quanto ele é inútil se comparado com a força da natureza. Então, ao invés dos amantes do frio serem criticados, que cada um faça a sua parte e ajude a aquecer o coração e o corpo daquele que estão perto de nós e necessitam desse auxílio.

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