Vimos, há alguns dias, uma notícia de São Paulo onde dois adolescentes que estudavam numa escola tradicional daquela cidade se suicidaram num período de 15 dias de intervalo. Tragédias como essas, até há pouco tempo, eram noticiadas e mais comuns no Japão, onde o índice de suicídio juvenil continua preocupante. Agora, em nosso país, começamos a nos alertar cada vez mais.
Para uma pessoa chegar ao extremo de tirar a própria vida, têm uma série de fatores envolvidos, os quais aqui não irei analisar. Porém, levanto uma questão observada nos últimos anos, para a qual devemos dispensar atenção. Uma parcela de pais, imbuídos em fazer de seu filho um ser feliz, que ao mesmo tempo não deve passar por sofrimento, passam a fazer absolutamente tudo o que está ao seu alcance para poupar sua prole de trabalho, de esforço, de preocupações, de momentos de estresse e de frustração. Insisto muito, há tempo, que desta forma, os pais que usam essa estratégia não estão educando adequadamente seus filhos. Estão lhes prestando um grande desfavor e não estão preparando os mesmos para as dificuldades que a vida traz. Sim, dificuldades. Todos passamos e passaremos por elas e temos que estar psicologicamente preparados desde a infância.
O que vimos cada vez aumentando mais são jovens crescendo num meio familiar onde parecem que são hóspedes de suas casas, onde não precisam se preocupar com nenhuma tarefa doméstica diária. E essa visão por parte de um grupo de pais aumenta de acordo com a renda familiar disponível para poder ter acesso a empregados que possam servir seus filhos. Na escola, pais pressionam professores porque o filho não pode tirar nota baixa, porque ele pode “ficar traumatizado” (falas recorrentes). Eles são blindados contra qualquer possibilidade de frustração.
Como todos sabemos que não podemos estar a par de tudo o que se passa com cada indivíduo, em especial na adolescência, quando um jovem criado numa redoma se depara com a primeira dificuldade maior, uma das alternativas mais viáveis em sua visão de mundo que foi deturpada ao longo de seu crescimento, através de um modelo de educação falha, pode passar a ser o suicídio.
Alguns podem criticar esta leitura da realidade que faço, e essa crítica em nossa sociedade é normal. Em nossa cultura, não se fala abertamente em morte. Somos ensinados a encontrar eufemismos para não fazer referência ao fim da vida, no qual fatalmente todos chegaremos. Mas o problema do suicídio está se instalando cada vez em maior porcentagem, em especial na adolescência/juventude. Falar sobre o tema é a melhor ajuda que podemos dar, além de insistir que, na educação, a frustração é elemento essencial para educar qualquer criança, desde a mais tenra idade.

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