É sabido que no Brasil, em virtude de dificuldades financeiras, pais e mães precisam trabalhar fora de casa. Muitas vezes, os filhos pequenos são cuidados pelos irmãos mais velhos por falta de vagas nas creches.
Mais de 20% dos partos do SUS são realizados em meninas de 10 a 18 anos de idade. Assim sendo, se fazem necessárias creches muito bem aparelhadas, com funcionários em boas condições financeiras e psicológicas para darem os cuidados necessários, tanto de alimentação como de educação.
Do ponto de vista de alimentação, 80% das calorias ingeridas pelos recém-nascidos são consumidas pelo cérebro. Aos três anos, o cérebro já atingiu 80% das dimensões do adulto. Nesta idade, já existem milhares de conexões (ligações) de neurônios que devem ser feitas. Por isso, uma boa alimentação proteica e estímulos intelectuais são indispensáveis para o desenvolvimento da inteligência futura.
Aos cinco anos, 44% das calorias são consumidas pelo cérebro, que está em pleno crescimento e desenvolvimento. Alimentação deficiente em leite materno, proteínas (carne, leite e ovos) e frutas; diarreia frequente, infecções respiratórias, verminose privam o cérebro das calorias e proteínas necessárias para o seu desenvolvimento, diminuindo o QI – quociente de inteligência.
Conforme o Dr. Drauzio Varela, estudos de ressonância magnética funcional mostram que existem grandes diferenças entre o cérebro de crianças ricas e crianças pobres, principalmente no córtex pré-frontal e no hipotálamo, que são os locais importantes para um bom aprendizado. Crianças mal alimentadas e com poucos estímulos intelectuais terão mais dificuldade em aprender coisas elementares.
Daí a importância do Poder Público em aparelhar e estimular creches de boa qualidade para que as crianças pobres consigam se desenvolver afetivamente e intelectualmente em boas condições. O futuro do Brasil depende muito de boas creches, senão continuaremos criando crianças e adultos com pouca inteligência.

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