A cada ano, em novembro e dezembro, acumulam-se eventos que envolvem crianças e jovens em idade escolar: apresentações na escola, espetáculos de dança, encontros esportivos…
Gostaria de sugerir uma reflexão: será que a concentração desses eventos no fim do ano é realmente necessária e proveitosa? Será que esse acúmulo é bom para os alunos, para as famílias dos alunos, para os professores e, principalmente, para a ideia de que prestigiar a escola, as artes e os esportes é algo para o ano inteiro, para o dia-a-dia, e não apenas para o fim do ano?
Os eventos em si são ótimos e devem ser estimulados, ampliados até. Apresentações da turma da escola, da companhia de dança, do clube de esportes, enfim, todas elas merecem muito elogio. São, afinal, excelentes oportunidades de se homenagear as pessoas que celebram atividades tão fundamentais ao ser humano: conhecer, dançar, tocar, jogar, brincar. Isso é maravilhoso e constrói uma comunidade saudável mental e fisicamente.
O problema é que quando essas iniciativas convergem para o mesmo período de tempo, todas elas perdem, todos nós saímos perdendo. Listo rapidamente alguns pontos negativos: 1) A fadiga demasiada de alunos e professores. 2) O estresse de todos os envolvidos, professores, familiares, alunos, que acabam aproveitando bem menos do que poderiam. 3) O impacto no rendimento escolar, especialmente quanto às provas finais. 4) A sobrecarga para os pais quanto aos custos (ingressos, figurinos, presentinhos) – sem falar a coincidência com o período natalino. 5) Inviabiliza-se a presença dos coleguinhas e familiares nos eventos uns dos outros. 6) O excesso de oferta tende a dissolver a atenção da comunidade.
Por que não espalhar essas belas iniciativas ao longo do ano?
Por exemplo: Fundarte em junho. Ballance em setembro. Plié em agosto. Artes marciais em outubro. Confraternizações escolares em abril ou novembro. E assim por diante.
As provas escolares devem ser objeto de preocupação não somente dos estudantes, mas também dos professores de outros estabelecimentos. Um professor responsável quer o bem de seu aluno não apenas na sua disciplina. É comum ver treinadores de futebol expressando preocupação com o rendimento escolar de seus jovens atletas! Os professores de dança, de artes marciais e de inglês, assim como os diretores dos respectivos estabelecimentos, também têm essa responsabilidade.
Por isso, conclamo a comunidade intelectual, artística e esportiva de Montenegro a repensar o calendário de eventos, para que tenhamos, de maneira inteligente, um 2018 mais proveitoso para toda a comunidade – e que cada evento possa florescer ao máximo e receber a devida atenção de todos nós.

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