Há vários dias, os noticiários estão repletos de informações, de desinformação, de comentários, de análises e de muita besteira sobre a investigação policial que encontrou “problemas” relacionados à carne, de modo especial burlando a fiscalização e, possivelmente, colocando no mercado para o consumo produtos adulterados e até mesmo impróprios para o consumo humano.

Num primeiro momento, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) foi enfático ao tachar de espetacularizada a atuação da Polícia Federal, querendo fazer crer que, se este trabalho fosse mais discreto poderia, além de não causar prejuízos ao “país”, ser tanto ou mais eficiente, principalmente se tivesse contado com o “apoio técnico do Ministério da Agricultura”.

Já esta semana, o Ministério da Agricultura, em sua página na internet (www.agricultura.gov.br), voltou à carga e divulgou nota, da qual se extrai o seguinte trecho: “Irregularidades encontradas em 12 laudos concluídos revelam, sim, fraudes econômicas, como quantidade de água acima do permitido no frango e, amido, também fora do padrão, em salsicha”.

Mais adiante, na nota, um outro trecho interessante: “No mesmo dia da operação, em 17 de março, haviam sido interditados, por precaução, pelo Mapa, estabelecimentos da BRF, em Mineiros (GO), da Peccin Agro Industrial, em Curitiba(PR), e em Jaraguá do Sul (SC). Os laudos prontos se referem a essas três plantas frigoríficas. Depois, entre os citados, mais três sofreram interdição preventiva, por falhas no controle de fabricação: Souza Ramos, em Colombo (PR), Laticínios SSPMA, em Sapopema (PR) e Farinha de Carnes Castro, em Castro (PR)”.

Apesar de tudo isto, nas palavras do ministro da Agricultura, Blairo Borges Maggi, que é formado em Agronomia pela Universidade Federal do Paraná, foi governador do Mato Grosso por dois mandatos consecutivos (2003-2007 e 2007-2010) e eleito em 2011 para o Senado da República, com mandato até 2019 e que, em maio de 2016, licenciou-se do cargo de senador para assumir o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, “das amostras analisadas, não há nenhuma anormalidade que possa fazer mal à saúde humana”.

Será mesmo que a Polícia Federal está sendo apenas “impertinente” ao investigar e divulgar as irregularidades encontradas, e isto apesar da falta de apoio técnico do Ministério da Agricultura? As “irregularidades encontradas em 12 laudos concluídos”, que revelaram que foram encontradas, “sim, fraudes econômicas, como quantidade de água acima do permitido no frango e, amido, também fora do padrão, em salsicha”, até agora, apesar da tão eficiente fiscalização exercida pelo Ministério da Agricultura, não são relevantes a ponto de alertar os mercados consumidores, de modo especial o interno, de que é possível que exista mais imundice debaixo do tapete que nos laudos divulgados?

Vale lembrar que a distância entre o que aparece nas lâminas examinadas nos laboratórios e as laudas dos laudos é imensa, e o que aparece nas primeiras, nem sempre é revelado nas últimas, como já se viu, vê e verá.

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