Diversas facetas do machismo ganharam o horário nobre na última semana. Assédio, agressões e constrangimentos, elementos tão presentes na vida das mulheres brasileiras, foram associados a um ator global e a um médico finalista do Big Brother. Nem mesmo Silvio Santos, tão admirado pelo povo, escapou ileso.

Primeiro o ator José Mayer entrou em cena. Uma figurinista da Rede Globo afirmou que o artista começou a assediá-la há cerca de oito meses com cantadas, que evoluíram para atos que não tinham o consentimento dela. As atrizes da emissora iniciaram, via Instagram, uma onda de protestos contra o assédio sexual e o machismo no local de trabalho. Motivada pela denúncia e pela reação do público, a Globo decidiu suspender José Mayer da emissora por tempo indeterminado.

Depois os olhares se voltaram para a “casa mais vigiada do Brasil”. Marcos, um médico gaúcho e participante do BBB, já havia protagonizado uma série de cenas lamentáveis no programa, muitas relacionadas à namorada Emilly. Entretanto, nos últimos dias, as brigas entre o casal se acentuaram e o médico teria agredido a menina com apertões e beliscões, além de abusos psicológicos. A polícia interferiu por meio da Delegacia da Mulher, Emilly foi examinada para avaliar a possibilidade de lesão corporal e Marcos expulso do programa.

E o último a meter os pés pelas mãos foi o apresentador-mito Silvio Santos. Durante a entrega do Troféu Imprensa, ele humilhou a jornalista Raquel Sheherazade. “Eu te chamei para você continuar com sua beleza, com sua voz, para ler as notícias, e não dar sua opinião”, atacou. Não satisfeito, e aproveitando-se do fato de estar acima dela em termos hierárquicos, Silvio apelou para o assédio moral descarado: “Se quiser falar sobre política, compre uma estação de TV e faça por sua própria conta”. Ou seja, claramente ameaçou a moça de colocá-la no olho da rua se não se comportar como ele manda. Discordo veementemente da posição política de Sheherazade, mas é bastante cômodo defender só quem a gente gosta.

Os três fatos são diferentes, mas chamam a atenção para uma série de questões importantes. Vivemos numa sociedade tradicionalmente machista e que ainda acha “normal” as cantadas e o assédio; tolera a agressão no ambiente doméstico e baixa a cabeça para o patrão que vocifera contra a funcionária. Quantos casos semelhantes não ocorrem diariamente longe das câmeras?

Compartilhar

Deixe seu comentário