Parece prepotência olhar para o outro país e querer dar pitaco? Li muita coisa nos últimos dias sobre a posse de Donald Trump, nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo em que há coisas extremamente importantes em cada esquina próxima a nós, é preciso ter um olhar global. No mundo em que vivemos, não demora tanto para que uma medida tomada em Washington tenha impacto sobre nós. É exatamente em função desses efeitos cascata que estamos olhando de maneira tão atenta para a Casa Branca.

Barack Obama entrou para a história, mas esteve muito longe da perfeição. Seu governo matou mais civis inocentes em ataques com drones, inclusive crianças, do que seu antecessor, Bush. Isso sem mencionar a descarada espionagem sobre outros países e o apoio a diferentes golpes. Obama nem sequer fechou Guantánamo, uma de suas promessas durante a campanha. Todavia, o presidente carismático realizou ações sociais importantes e aplicou uma inegável injeção de autoestima na população negra norte-americana e de todo o planeta.

Trump será, como todos os seus antecessores, senhor das guerras – e com uma preocupação extra, porque é mais imprevisível. Sabe-se lá quem escolherá para ser inimigo. Ao mesmo tempo, à diferença de Obama, colocará em evidência o que há de mais atrasado em termos sociais e morais: o racismo, a xenofobia, a misoginia, a homofobia. Retrógrado, antiquado, arrogante e machista. E o que é pior: sem um décimo da simpatia e carisma dos Obama. Trump postulou-se desde o começo como um presidente contra o mundo: internamente, primeiro contra os mexicanos; no plano internacional, contra o próprio México, a China, a Europa e as espessas incertezas que pesam sobre o Oriente Médio. Seu único elogio, até agora, foi para a Rússia de Vladimir Putin, a quem os europeus provocaram e desprezaram durante várias décadas.

Tal como no início do século XX, a onda conservadora é uma reação global às diversas insurgências de massas por mudanças radicais que caracterizaram o século XXI. Se não quisermos um Jair Bolsonaro para 2018, é fundamental que mudemos radicalmente nossa postura.

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