“Ele acreditou”. Esse era o bordão utilizado por um personagem da década de 1990. No quadro humorístico, o homem ficava surpreso com o fato de os demais crerem em piadas, acusações sem fundamento e em todo o tipo de bobagem que sua criatividade e irritação criavam. Será que, estando no Brasil em abril de 2017, o humorista também acharia graça das coisas nas quais temos acreditado?

Acreditamos que era só tirar a Dilma. Há uma parcela considerável dos brasileiros que via no Partido dos Trabalhadores a própria corrupção. Após o impeachment, diziam eles, tudo iria melhorar: economia, vagas de emprego, fim da roubalheira. Essas pessoas fecharam os olhos e ignoraram um congresso podre sustentado por um sistema arcaico e engessado. Focamos no PT e esquecemos a sujeira comprovada em siglas como PMDB, PSDB e outras.
Nos disseram que os preços cairiam no supermercado, que a gasolina ficaria mais barata e todo mundo teria trabalho. E pelas bandas de cá não é diferente. Acreditamos que a problemática da falta de segurança no Rio Grande do Sul acabaria. Porém, o “gringo que faz” segue acumulando burradas, economizando de maneira equivocada e prejudicando os gaúchos. Enquanto isso, pais são mortos em frente às escolas e outros tantos são assaltados em plena luz do dia. Disseram que a crise na saúde acabaria e o Hospital Montenegro surfaria numa onda de prosperidade. Mas começamos o ano, inclusive, com serviços básicos paralisados e até ameaça de fechamento.

Acreditamos que a RS-287 receberia um viaduto, uma rótula, uma sinaleira. Qualquer coisa. Parecia verdade que os moradores dos bairros Santo Antônio e Panorama teriam tranquilidade para cruzar a rodovia. Mas não foi dessa vez, fomos passados novamente para trás.

Acreditamos nos superpoderes de Sérgio Moro. Na pena cumprida pelo goleiro Bruno. Que a Samarco será punida, assim como os responsáveis pelo desastre na Boate Kiss. Acreditamos que não haveria greves ou falta de professores. Acreditamos no asfalto que ainda não veio e na reforma da praça que ainda nem foi orçada. Acreditamos até que chegaríamos a nos aposentar. Essa semana teve até gente acreditando que não jogaria a Série B.

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