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O inverno ainda não chegou, mas o frio já deu as caras. E lembrou aos gaúchos que a temporada de gripes e resfriados está próxima. Antes que os casos comecem a se multiplicar, algumas ações de prevenção são importantes. A campanha de vacinação contra a gripe já teve início e prossegue até o dia 26 de maio.

Nesse ano, inclusive, ela foi iniciada mais cedo, atendendo a uma antiga reivindicação. Segundo a responsável pela Vigilância Epidemiológica, Kátia Regina Kern de Jesus, a decisão de antecipar a campanha se deu muito pela pressão popular. Afinal, nos estados do Sul do Brasil, percebia-se a necessidade de antecipar a imunização. “A vacina leva 15 dias para começar a agir. Então essa mudança é importante”, diz Kátia.

No ano passado, Montenegro teve 71 casos de Síndrome Gripal Aguda Grave investigados. Destes, 17 acasos foram positivos para Influenza por H1N1. Em 2016, sete montenegrinos foram a óbito por gripe H1N1. Além desses, outras seis pessoas, moradores de outras cidades da Região, mas internadas no Hospital Montenegro, não resistiram à doença. Considerando que em 2015 a cidade não registrou nenhuma morte, o número chamou a atenção.

Kátia Regina Kern de Jesus, responsável pela Vigilância Epidemiológica em Montenegro

Kátia Kern esclarece que é possível que tenham ocorrido mais casos de gripe do que os registrados. É que os números representam apenas aqueles casos agudos, em que houve notificação devido à internação hospitalar. Nesses casos, é coletado material para análise, e encaminhado ao Laboratório Central de Porto Alegre (Lacem).

Desde 2009, quando houve uma pandemia – enfermidade epidêmica amplamente disseminada – de influenza, o vírus está circulando no nosso ambiente. E ele sofre mutações. Por isso, a vacina também muda de um ano para o outro. A de 2017, além da subdivisão H1N1, a vacina imuniza contra H3N2 e Influenza B. Até o momento, não há nenhum óbito no RS por Influenza em 2017.

Para incentivar a prevenção, a Vigilância Epidemiológica enviou para as instituições de ensino do município um alerta sanitário. Nele constam orientações válidas a todos como higienizar as mãos com frequência, utilizar lenço descartável para higiene nasal, cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar e procurar manter os ambientes arejados.

Vacina: grupo prioritário foi ampliado
Na campanha 2017, além dos indivíduos prioritários nos outros anos – idosos com 60 anos ou mais, crianças de seis meses até completar os cinco anos, gestantes, mulheres que deram a luz há até 45 dias, trabalhadores da saúde, povos indígenas, grupos portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas, população privada de liberdade e os funcionários do sistema prisional – também serão incluídos para a vacinação, os professores das escolas públicas e privadas, com comprovação de vínculo com a escola.

A meta é vacinar, pelo menos, 90% dos grupos elegíveis para a vacinação. Enfermeira responsável pelas imunizações em Montenegro, Nicole Ternes destaca que em 2016 a meta foi batida com mais de 95% da população de risco vacinada.

Para os pacientes que apresentam comorbidades eleitas pelo Ministério da Saúde, se mantêm a necessidade de comprovação através de solicitação médica, preferencialmente com Classificação Internacional de Doenças (CID).

Dia D e falta de vacinas
O Dia de Mobilização Nacional será em 13 de maio. Nesta data, um sábado, postos de saúde estarão abertos para imunizar a população. Nicole Ternes esclarece que as vacinas são encaminhadas pelo Ministério da Saúde para a Secretaria Estadual, que distribui nos municípios. Essa distribuição ocorrerá em sete etapas. Por isso, é possível que até o final do período de vacinação ocorra falta temporária de doses. Mas por curtos períodos.

“Pode faltar por algumas horas enquanto a nova remeça não chega. Mas não ficaremos sem a vacina. Então é indicado que as pessoas dentro dos grupos que precisam se vacinar procurem os postos, mas, não é necessária uma corrida por medo de ficar sem”, alerta.

Camila Kleber de
Oliveira, nutricionista

Alimentação para reforçar a Imunidade
Fortalecer o sistema imunológico é importante para prevenir doenças comuns da estação, como gripes, resfriados e doenças respiratórias. A nutricionista Camila Kleber de Oliveira explica que a alimentação desempenha um papel muito importante na imunidade, pois o sistema imunológico utiliza os nutrientes e a energia dos alimentos para formar as células e as substâncias envolvidas no sistema de defesa. “A ingestão de alguns alimentos é fundamental para estimular a resistência”, destaca. Confira alguns exemplos:

Peixe:
Rico em ômega 3, ácido graxo encontrado em peixes como atum, sardinha e salmão, são aliados do sistema imune, além de prevenir doenças cardíacas e alguns tipos de câncer.

Frutas ricas em Vitamina C:
Como a acerola, laranja, limão, kiwi e bergamota têm ação antioxidante, que estimula a resistência, sendo responsável pelo aumento da atividade imunológica do corpo.

Alho:
Fonte de aliina e alicina, substâncias de potente ação antioxidante, estimulam a resposta imunológica, prevenindo as gripes comuns no inverno. Atua no combate a infecções e inflamações.

Chá verde e branco:
Ricos em catequinas e epicatequinas, poderosos antioxidantes que atuam no combate aos radicais livres. Possuem ação imunoestimulante, fortalecendo o sistema imunológico. Pode ser consumido na forma de chá ou cápsulas.

Vegetais:
Em especial os com folhas verdes escuras, são uma excelente fonte de ácido fólico, ajudando a fortalecer o sistema imunológico.

Geléia Real:
Estimula o sistema imunológico e combate as infecções de vírus e bactérias. Encontrada in natura e em cápsulas.

Gengibre:
É imunoestimulante, possui ação expectorante, reduz a inflamação e a dor.

Mel:
Ação bactericida e anti-séptica. É um bom coadjuvante no tratamento de problemas pulmonares e da garganta. Contém substâncias, que agem como antibióticos naturais.

Probióticos:
Possuem microorganismos vivos que recuperam a microbiota intestinal e fortalecem o sistema imunológico.

E quando a prevenção não funcionou?
Nos casos em que a gripe ou resfriado já está presente, é possível fazer uso de alguns alimentos que auxiliam a amenizar os sintomas. Ervas e plantas como salsa, malva, eucalipto, gengibre e guaco são eficazes, seja aproveitadas como chás, inalações ou gargarejos.

“Elas amenizam sintomas como congestão nasal, irritação, inflamação de garganta e tosses”, diz Camila.

As sopas ajudam a acalmar a garganta e, com moderação, o sal presente na receita pode diminuir o risco de desidratação por causa da febre. A nutricionista indica uma receita.

Receita de Caldo de Legumes:
Ingredientes:
– 1 colher de sopa de óleo de girassol; – 225g de alho poró picado; – 225g de cebola picada; – 225 g de cenoura picada; – 150g de aipo picado; – 1 folha de louro; – Salsa fresca em ramos; – Tomilho fresco em ramos; – Sal marinho a gosto; – Pimenta do reino a gosto.

Modo de preparo:
Em uma panela grande refogar a cebola e o alho poró no óleo de girassol. Adicionar a cebola e o aipo. Tampar e deixar em fogo baixo por cerca de 20 minutos. Amarrar os ramos da salsa e do tomilho como um buquê e colocar na panela com a cenoura, o aipo, o sal marinho, a pimenta do reino e dois litros de água fria. Aumentar o fogo e deixar levantar fervura, removendo qualquer espuma que se formar na superfície. Abaixar o fogo e cozinhar por cerca de 35 minutos. Coar o caldo e deixar tomar.

previna-se:
Higienizar as mãos com frequência, principalmente ao tossir ou espirar;
– Utilizar lenço descartável para higiene nasal (nariz);
– Cobrir nariz e boca aos tossir ou espirrar;
– Evitar tocar as mucosas dos olhos, nariz e boca;
– Lavar sempre as mãos com água e sabão, principalmente após tossir ou espirrar;
– Manter ambientes arejados;
– Não partilhar alimentos, copos, toalhas ou qualquer objeto de uso pessoal;
– Evitar aperto de mãos, abraços e beijo social;
– Evitar contatos sociais desnecessários e evitar, dentro do possível, ambientes com aglomeração;
– Evitar visitas a hospitais;
– Ventilar ambientes.
– Utilizar álcool 70% para higienizar as mãos sempre que não for possível lavar com água e sabão;
(Fonte: Vigilância Epidemiológica de Montenegro)

quem deve se vacinar:
– Crianças maiores de 6 meses a menores de 5 anos;
– Gestantes;
– Puérperas (mulheres no período até 45 dias após o parto);
– Trabalhadores da Saúde;
– Povos indígenas;
– Pessoas com 60 anos ou mais;
– População privada de liberdade;
– Adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas;
– Funcionários do sistema prisional;
– Pessoas portadoras de doenças crônicas;
– Professores das escolas públicas e privadas.

Quando procurar auxílio médico
Quem perceber sintomas como febre de início súbito, dor de cabeça, dor nas articulações, dor muscular, dificuldade respiratória e dor de garganta deve procurar auxílio médico.

Cuidados além da alimentação
– Estresse enfraquece as defesas do organismo, facilitando as infecções;
– Consumo de açúcar, sobretudo o refinado, prejudica o sistema imunológico, pois enfraquece a capacidade das células de defesa de destruir as bactérias;
– Excesso de peso aumenta o risco de infecções;
– A ingestão de gordura faz com que a atividade das células protetoras seja reduzida, comprometendo o sistema imunológico;
– Baixo peso deixa o organismo fraco e vulnerável;
– Dormir bem é essencial para manter a saúde. A falta de sono e noites mal dormidas aumentam o nível de estresse, reduzindo a imunidade natural do organismo.

 

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