A epilepsia é uma doença cerebral crônica, caracterizada pela predisposição duradoura a crises que deixam consequências neurobiológicas, sociais e cognitivas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 5% da população terá ao menos uma crise epiléptica na vida. E quando essa doença se manifesta, costuma ser causa de grande insegurança por parte de familiares e amigos. Como agir?

Luiza Manreza

Segundo a neurologista Maria Luiza Manreza, as doenças crônicas – como é o caso da epilepsia – podem parecer um fardo, mas, na maioria das vezes, o paciente tem condições de levar uma vida normal com o tratamento adequado e conhecimento sobre sua condição. “É compreensível que exista uma preocupação em relação à epilepsia, mas que não deve impactar no convívio do paciente consigo mesmo e com as pessoas que estão à sua volta. Existem tratamentos eficientes para o controle das crises e suas manifestações e o cuidado e compreensão de pessoas próximas é muito importante”, afirma a doutora.

Diversas manifestações da doença podem ser registradas e exigem diferentes respostas. No caso da crise generalizada – aquela em que o paciente tem uma convulsão – o procedimento é afastar objetos que possam machucá-lo, apoiar sua cabeça virando-o de lado para evitar que a saliva, às vezes abundante, seja aspirada e, por fim, esperar que a crise passe. Já durante crises em que ocorre apenas uma alteração da consciência, em que o paciente mantém o olhar vago, demonstrando distanciamento com o seu arredor, uma atitude importante de quem está por perto é permitir que ela continue fazendo o que estava planejando. Ou seja, agir normalmente, e não ficar em cima do paciente fazendo perguntas ou pressionando-o para entender o que aconteceu.

Outro fator de extrema importância é observar detalhadamente a crise, se ocorreu algum tipo, mesmo que discreto, de movimento, a sua duração, como se comportou o paciente após a crise, para relatar ao médico. Essa observação e descrição da crise são essenciais para o diagnóstico correto. Ainda segundo a especialista, na vida diária é essencial que as pessoas que estão por perto, como os cuidadores, familiares e conhecidos, não excluam o paciente, e convivam com ele com naturalidade. “A inclusão social da pessoa com epilepsia é importante para que ela saiba lidar melhor com a própria doença e não se sinta sozinha em sua jornada”, diz Maria Luiza.

Causa e tratamento
A epilepsia é uma doença ocasionada por diferentes fatores. Alguns, como os genéticos ou decorrentes de algumas malformações do cérebro durante a gravidez, não podem ser prevenidos. Outros são fatores adquiridos, como traumas ou infecções do sistema nervoso podem ser prevenidos. Assim, por exemplo, uma das causas mais frequentes de epilepsia é a falta de oxigênio no momento do parto.

As crises epilépticas ocorrem devido a uma atividade excessiva das células cerebrais, causando nos pacientes comportamentos, sintomas e sensações anormais, incluindo, algumas vezes, perda de consciência. A causa mais comum de epilepsia em todas as idades é a genética, embora isto não signifique que ela é herdada. Já as causas adquiridas mais comuns variam com a idade. “Na criança, a etiologia mais frequente é a falta de oxigênio no parto, no adulto, temos as infecções e os traumas de crânio e, nos idosos, os acidentes vasculares cerebrais”, explica a especialista.

A palavra “cura” é evitada pelos médicos quando o tema é epilepsia. Utiliza-se a expressão “epilepsias estão resolvidas”. Isso porque em alguns casos de ocorrência infantil as crises epilépticas podem desaparecem com o tempo e a maturidade cerebral. Também algumas pessoas que mantêm um tratamento correto e contínuo, com acompanhamento médico, podem não voltar a ter crises. Outras persistem sem crises epilépticas, mas em uso de medicação. E aqueles casos – em número inferior – em que nem mesmo a medicação põe fim às crises.

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