“Imagine o seguinte: tu queres cumprimentar alguém e a tua mão está pura água; ou, então, tu tens uma aula e queres fazer anotações, mas a folha em que estás escrevendo fica molhada. Ou ter de ir para a faculdade com uma toalinha na mochila para secar a mão durante a aula. É desconfortável, fora ‘n’ outras situações.” Esse é o desabafo da estudante de Medicina Júlia Oliari Franco, de 21 anos. Ela tem a doença da hiperidrose – suor excessivo causado em pessoas que têm glândulas sudoríparas superativas.

Quando afeta as mãos, pés e axilas, é chamado de hiperidrose primária ou focal. No entanto, menos de 40% dos pacientes com essa condição busca auxílio médico. Na maioria dos casos de hiperidrose primária, nenhuma causa é encontrada, o que leva os médicos a acreditarem que trata-se de um problema hereditário. O tratamento costuma ser clínico ou cirúrgico. Nos casos mais leves, podem ser indicados medicamentos orais e de uso tópico. A aplicação de botox e a acupuntura também ajudam a controlar a sudorese. Quadros mais graves, porém, podem exigir intervenção cirúrgica. Nela, ocorre a retirada das glândulas sudoríparas das axilas.

Júlia Oliari Franco faz sessões de acupuntura desde os 14 anos para reduzir o suor

Júlia, desde a infância, teve um nível de suor maior nas mãos e nos pés que o normal. Enquanto criança, foi ao médico, que afirmou uma possibilidade de redução na puberdade. Não houve. Acupuntura, um ramo da medicina chinesa que consiste em introduzir agulhas metálicas em pontos precisos do corpo para tratar de diferentes doenças ou provocar efeito anestésico, é o que ela faz hoje para melhorar.

Método criado pelos chineses, acredita que os chakras estão em desequilíbrio e, por isso, o paciente sente as dores, disfunções e sintomas de algumas doenças. “A hiperidrose, para a acupuntura, seria a perda desse equilíbrio que acontece por estresse, ansiedade, entre outros. Então, sempre que desequilibrar, seria a hora de fazer uma sessão nova”, explica Júlia.

A jovem começou a fazer frequentemente com 14 anos e ainda vai a sessões no centro de saúde em que tem aulas. “Eu tenho medo de realizar qualquer tratamento disponível porque são bem drásticos: aplicação de botox na região do suor ou cirurgia, por exemplo. Mas cansei, sabe? Fico muito mal com isso”, admite. Agora, ela está tentando contato com um cirurgião torácico para fazer algum procedimento cirúrgico, averiguando riscos e benefícios.
“Eu sou exagerada e, durante a sessão de acupuntura, dou uns pulos na cadeira mais pela ideia da dor do que pela sensação em si”, acrescenta. “Acho muito chato secar as mãos antes de cumprimentar alguém ou enxugar sem que ninguém perceba, além de sempre travar o celular por estar com a tela molhada”, lamenta.

Ela sabe que existem sudoreses mais brandas, mas, dependendo do seu estado emocional, a dela também é absurdamente intensa.

Tratamento, sintomas e causas
A dermatologista Raquel Bozzetto Machado, de 36 anos, para o tratamento contra a Hiperidrose, indica o uso de roupas que facilitem a transpiração, como algodão, e que o paciente fique em ambientes arejados. “A sudorese é uma condição normal do nosso corpo e ajuda a manter a temperatura. Suamos quando faz calor, durante a prática de atividades físicas, em momentos de raiva, nervosismo ou medo”, afirma. “Os pacientes com hiperidrose, porém, têm glândulas hiperfuncionantes, por hiperatividade do sistema nervoso simpático”, complementa.

As partes do corpo afetadas, em geral, são as axilas, palma das mãos, rosto, cabeça, sola dos pés e virilhas. De acordo com a dermatologista, a doença afeta em torno de 1% da população, mas há cura. “Alguns tratamentos são feitos pelo próprio paciente, como o uso de produtos tópicos nas áreas afetadas, de medicações via oral e a iontoforese – por meio de campo elétrico. Outros são mais invasivos, feitos por médico”, enfatiza. Mas o ideal é que o paciente vá ao médico para saber qual a melhor medida a ser tomada.

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