Aproveitamento dos pescados é baixo. Apenas cerca de 30% do total da carcaça é aproveitado em filés Foto: Jefferson Christofoletti

Um estudo realizado pela Embrapa identificou ômega 3 nas vísceras dos peixes tambaqui e Surubim. Mesmo que essa parte do peixe não seja consumida pelas pessoas, a descoberta é importante porque a indústria de pescado aproveita as vísceras na produção de suplemento para ração animal, de biocombustível e até como adubo. Além disso, a descoberta abre a possibilidade para um uso mais nobre do resíduo, como a produção de cápsulas de ômega 3, espécie de gordura benéfica à saúde humana e que normalmente está vinculada a pescados mais nobres como salmão e atum.

O trabalho foi liderado pela Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), com participação da Embrapa Agropecuária Oeste (MS) e Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ). “É uma matéria-prima nobre que precisa ser melhor aproveitada”, atesta Leandro Kanamaru Franco de Lima, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura. Para o cientista, a descoberta deverá trazer novo olhar para as vísceras resultantes do processamento de pescado. “O produtor deve ficar atento para não deixar o subproduto estragar com períodos longos de armazenamento, já que esses ácidos graxos encontrados podem gerar produtos de maior valor agregado”, aconselha o pesquisador.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2016 revelam que a produção nacional de tambaqui chega a 136.991 mil toneladas anuais e a de surubim alcança 15,86 mil toneladas. No entanto, o nível de desperdício e resíduos chega a mais da metade da produção, pois apenas cerca de 30% do total da carcaça é aproveitado em filés. Grandes empresas utilizam parte das sobras para produzir biodiesel ou ração animal.

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