Alfeu Ferreira observa que o Caps é “uma grande família”, onde destaca o profissionalismo e a convivência
Jaqueline Porto, coordenadora

As tentativas de suicídio foram a gota d’água para o segurança aposentado Alfeu Ferreira, 55 anos, buscar atendimento profissional, primeiro na rede particular e, há cerca de seis anos, no Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Ele conta que a iniciativa partiu da sua esposa e salienta a importância do apoio da família para o avanço no tratamento.

“Tenho transtorno bipolar e depressão”, afirma Ferreira. O aposentado elogia o serviço disponibilizado pelo Caps, onde recebe atendimento psicológico, psiquiátrico, além de participar de grupos de apoio e oficinas. “Aqui é uma grande família”, define.
O Caps oferece atendimento às pessoas com transtornos mentais e a usuários de álcool e outras drogas, através de acompanhamento por uma equipe interdisciplinar do serviço. Ferreira afirma que o preconceito da sociedade ainda é um obstáculo para as pessoas atendidas pelo Caps. “No momento em que sabem que a gente é tratado pelo Caps há preconceito, (na sociedade) tratam a gente como louco, como alguém diferente”, observa. Ele acredita que essa dificuldade na convivência ocasiona o que chama de “sociedade paralela” no Caps, pois no local não são considerados diferentes.

Caps localiza-se na Timbaúva e conta com uma equipe interdisciplinar do serviço

Desde que iniciou o tratamento, Ferreira melhorou sua convivência com a família, mas ainda não se sente bem em ambientes maiores, por isso evita festas ou eventos públicos fora do Caps. “Tenho um pouco de pânico com lugares com mais gente”, acrescentou, enquanto aguardava o início da roda de conversa sobre “Depressão e suas faces”. A atividade integra a II Semana Loucos Pela Vida, que iniciou na segunda-feira, em alusão ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial, que transcorreu ontem, e visa à conscientização sobre a importância do tratamento em liberdade.

A coordenadora do Caps, psicóloga Jaqueline Porto, esclarece, no entanto, que não basta a pessoa estar fora de uma instituição, mas ficar isolada em casa. O propósito é trabalhar de forma que não leve o usuário da rede de serviço psicossocial ao isolamento, mas haja reinserção social.

Semana de atividades encerra hoje
A programação da II Semana Loucos Pela Vida termina nesta sexta-feira, no Parque Centenário, onde haverá gincana e piquenique para os usuários do Caps de Montenegro. Desde segunda-feira vem sendo desenvolvidas atividades com envolvimento da clientela do Centro, seus familiares e a comunidade em geral.

Um dos destaques da programação foi a promoção de uma sessão de cinema, na terça-feira, com a história de Nise da Silveira, pioneira no processo libertário da reforma psiquiátrica no Brasil. Com cenas fortes, o filme se passa na década de 40, quando eletrochoque e cirurgias muito invasivas eram alternativas usadas nos hospitais para tratamento de pacientes com transtornos mentais.

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Serviço ligado à Secretaria Municipal de Saúde, o Caps completará dez anos no dia 14 de dezembro de 2017. Seu endereço é a rua Dr. Bruno de Andrade, 1847, no bairro Timbaúva.
Equipe de trabalho atual – coordenação (ocupada por Jaqueline Porto); uma psicóloga (há também uma vaga aberta a ser preenchida); um psiquiatra; um assistente social; um terapeuta ocupacional; uma enfermeira; um técnico de enfermagem; um assistente administrativo; uma higienizadora; um motorista; estagiários de psicologia; estagiárias de administração de empresas.

Atividades desenvolvidas – acolhimento, grupos terapêuticos, oficinas terapêuticas, consulta psiquiátrica, atendimento individual, atendimento familiar, atendimento domiciliar, atendimento de enfermagem, visitas domiciliares e visitas institucionais, reuniões de equipe, reuniões de rede, matriciamento (ocasião em que técnicos do Caps vão aos postos de saúde conversar com profissionais sobre pacientes em comum), confraternização em datas comemorativas.

O acesso aos serviços pode ser por iniciativa do interessado, que pode ir direto ao local, ou referenciado por profissionais.

Há 2.318 pessoas cadastradas, das quais cerca de 300 são atendidas regularmente. Jaqueline acrescenta, no entanto, que o trabalho se estende às famílias.

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