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O diretor administrativo Carlos Batista da Silveira e o diretor técnico Fabrício Fonseca comentam o aumento de demanda no HM

O Hospital Montenegro completou nesta semana 87 anos de existência. Atualmente é referência para 14 cidades do Vale do Caí: Montenegro, Capela de Santana, Tabaí, Pareci Novo, Triunfo, Salvador do Sul, São Pedro da Serra, Brochier, São Sebastião do Caí, Maratá, Tupandi, Harmonia, Barão e São José do Sul. Segundo cálculos da administração do hospital, isso soma uma população de aproximadamente 200 mil habitantes. Mas, além desses, também são registrados atendimentos vindos de outros municípios, como Estância Velha, Portão e Taquari.

A situação é encarada pela administração do HM como um indicativo de que o hospital é visto como resolutivo. “Mostra a confiança da população da região no HM. Recebemos muitos pacientes, inclusive de cidades com hospital”, diz o diretor técnico, Fabrício Fonseca. Porém, isso gera preocupação pelo aumento de demanda. Em janeiro deste ano, o HM teve média de ocupação dos leitos de internação de 90%, enquanto que em 2017 esse percentual foi de 80%. “Estamos no limite”, resume Fonseca.

O diretor técnico defende, ainda, a importância de se respeitar o papel da instituição em todo o sistema de saúde. “O Hospital Montenegro é de média complexidade. Não somos o fim de uma cadeia, e sim o meio”, explica. O Sistema Único de Saúde se divide em quatro eixos. O primário é o atendimento básico, como os postos de saúde, de responsabilidade das prefeituras. O secundário é onde se enquadra o HM. Já o terciário é composto por hospitais que atendem casos mais graves, caso do Hospital Conceição, em Porto Alegre, por exemplo. E o quaternário é o de hospitais de alta complexidade, que realizam procedimentos de grande porte, como transplantes. Esse é o caso da Santa Casa de Porto Alegre.

“Por vezes, as pessoas chegam aqui achando que somos um hospital terciário. Não é o caso. Exigem exames que não realizamos. Isso precisa ser compreendido. Não fazemos tudo”, diz o diretor administrativo, Carlos Batista da Silveira. Ele também comenta uma das grandes dificuldades do hospital: a lotação da emergência. Os dados apresentados por ele demonstram que a maior parte dos casos que chegam ao pronto atendimento não deveriam estar ali. Em 2017 foram 50.286 atendimentos, dos quais 36.356 eram montenegrinos. Porém, 7.131 não tinham urgência e 18.655 eram urgências menores. “A mesma população que lota a emergência com casos que deveriam ser tratados no posto de saúde é a que reclama da demora do atendimento. Cerca de 70% dos casos não deveriam estar aqui”, salienta Batista.

Contrato inferior à demanda
O sistema de atendimento na emergência avalia a gravidade do caso e assim classifica as prioridades. Quando chega uma situação grave, tudo para até que esse paciente seja atendido. “Não temos estrutura física para tantos pacientes”, resume Batista. A ampliação da emergência, diante da atual situação econômica, não está nos planos. Ele destaca que, atualmente, Barão, São Pedro da Serra, São Sebastião do Caí e Salvador do Sul não colaboram financeiramente. Triunfo fechou um convênio em setembro, mas até agora nenhuma parcela foi paga.

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Além dos 14 municípios para os quais é referência, o HM recebe paciente de outras várias cidades próximas

“As prefeituras têm a ideia de que, sendo 100% SUS, o hospital tem de atender. Mas há serviços que são obrigação dos municípios. Aqueles casos que chegam na emergência e são considerados azul e verde não deveriam estar lá”, diz o diretor administrativo, que defende a abertura de um pronto atendimento 24 horas. “Depois das 17h e nos finais de semana vem tudo para cá. Está na hora de Montenegro ter o seu pronto atendimento. E o valor que vem do Município ao HM por esse serviço, é claro, deixaria de ser repassado. Para nós ampliarmos a emergência, teríamos de captar recursos e isso não é ideal”, complementa Batista.

As consultas de especialidades também têm demanda refreada. O contrato com o Estado é para uma quantidade inferior à demanda. A fila é longa e não há perspectiva de redução. “Chegamos a fazer 54 mil consultas. Poderíamos ter mais. Porém, isso depende de recursos. O hospital não precisa dar lucro, mas também não pode dar prejuízo”, finaliza.

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