Fazer lista de desejos na virada de ano e não planejar como irá alcançar os objetivos não ajuda em nada. Crédito: arquivo pessoal

É comum que nessa época do ano cada um realize uma avaliação de sua vida, seus propósitos, suas realizações e, também, suas frustrações. E para muitas pessoas isso se torna sinônimo da tristeza, que impede de viver a entrada de um novo ano com esperança e expectativa. São os quilos não perdidos, o curso não iniciado, a viagem não realizada, a poupança não criada. Você já fez a sua “lista de objetivos” para 2018? Então entre o ano com boas energias e pronto para lutar pelo que deseja. Isso tem impacto na sua saúde da sua mente e do seu corpo.

Conversamos com a psicóloga e coaching Elisi Parcianello a respeito desse hábito de fazer planos na virada do calendário, do impacto disso na vida e sobre como agir para chegar ao final de 2018 com metas alcançadas. A primeira dica é sim, escrever o que se quer, mas reler isso durante o ano e planejar detalhadamente como chegará ao objetivo.

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Elisi Parcianello, psicóloga e coaching
Crédito: arquivo pessoal

“Um ano é um ciclo completo. E é natural que na virada nós coloquemos na balança o que conseguimos e o que não conseguimos. É um momento de reflexão”, comenta Elisi. É saudável que se escreva os desejos, mas não basta. “Escrevo e penso ‘esse ano será diferente’, mas no dia 2 de janeiro o papel foi pra gaveta e eu tenho as mesmas velhas atitudes. Nada muda”, complementa.
Mudar esse cenário depende de entender a diferença entre desejo, objetivo e meta. A coaching exemplifica citando um sonho bastante comum e nem sempre posto em prática: viajar. “Eu gostaria de conhecer a Europa. É um desejo, algo vago, sem prazo. Algo que talvez a vida passe e não seja realizado. É diferente de ‘eu quero viajar para a Itália”, um objetivo concreto. E a meta é ainda mais clara. Em 2019 eu vou fazer uma viagem à Itália, eu vou com tais pessoas e… Meta é clara e com data para ocorrer”, exemplifica.

É necessário, portanto, organização. E trazer as metas para perto, para o real, pensando todo o processo até chegar ao objetivo. “Quantos quilos você quer emagrecer? Em quanto tempo? É possível? Como vai fazer para chegar lá? O quão comprometido você está?”, destaca a psicóloga. Problemas vão acontecer e é natural que seja assim. A diferença entre os que conseguirão ou não está no poder de resiliência de cada um. Ou seja, na capacidade de persistir, de levar frente a primeira derrota e planejar novamente, mas sempre retomando o objetivo, nunca desistindo.

Elisi cita uma ferramenta chamada “SMART” que todos podem usar na hora de planejar o seu ano. Na sigla em inglês as letras significam: específica, mensurável, atingível, relevante e baseada no tempo. Ou seja, para realmente realizar algo você precisa saber o que quer de forma específica, saber como irá alcançá-lo, colocar-se um objetivo possível, que seja algo realmente importante para você e que haja um tempo justo para alcançar. “Metas têm de ser ousadas, têm de te desafiar. Mas precisam ser justas. É possível eu emagrecer 10kg em uma semana? Não. Eu nem vou me esforçar por essa meta. E é possível eu emagrecer 10kg em seis meses? Sim. Então quanto eu vou emagrecer por mês? Por semana? Para chegar ao final desses seis meses com a meta alcançada?”, orienta Elisi.

Ciclo virtuoso x ciclo vicioso
Ter novas atitudes no novo ano às vezes significa sair de um ciclo vicioso, em que só se observa o que está ruim. Há pessoas que não conseguem tirar proveito das coisas boas na vida. A coaching comenta que, ao responder sobre o que está ruim na vida, há quem cite “a crise”, de forma vaga, repetindo um discurso visto na sociedade em geral. Mas então, ao tentar falar da própria vida especificamente, percebe-se que aquela pessoa sequer foi atingida pessoalmente pela crise. “Foi na onda. De reclamar. De não ver nada de bom na sua vida. Será mesmo que não tem nenhuma conquista na sua vida para celebrar?”, destaca a psicóloga.

O que a profissional chama de ciclo virtuoso pode ser exemplificado como: reconhecer, agradecer, celebrar, se reinventar. E, da mesma forma, o vicioso é: mal dizer, menosprezar, criticar, fofocar. “Nós passamos o ano todo sendo bombardeados por coisas ruins, por dificuldades. Todos têm problemas. Mas o que eu fiz para mudar isso? O que eu fiz pela minha família? O que eu fiz para mudar a minha situação?”, diz a psicóloga, ao citar o conhecido desejo de muitos de deixar para realizar sonhos após se aposentar. “Por que não agora?”, finaliza ela, com um desafio.

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