Judy Perkins tinha prognóstico de vida de apenas três meses, mas, após tratamento experimental, consegue levar uma vida normal. Foto: reprodução internet/arquivopessoal

Um experimento com resultados publicados no início da semana na conceituada revista científica Nature Medicine veio trazer esperança para quem tem o diagnóstico de câncer de mama. Trata-se de uma nova imunoterapia, desenvolvida por cientistas americanos, que levou à eliminação completa de um tumor em estado avançado. A paciente cujo organismo não respondia a nenhum outro tipo de tratamento, já apresentava sinais de metástase, quando o câncer se espalha pelo organismo para além do local onde começou.

De acordo com informações divulgadas pelos autores da pesquisa, essa foi a primeira vez que um paciente nesse estágio do câncer teve um tratamento bem-sucedido com imunoterapia, tratamento que utiliza as células do próprio sistema imunológico do paciente para destruir as células tumorais que se formam no organismo.

A paciente é a americana Judy Perkins, uma engenheira de 49 anos, moradora da Flórida. Ela foi selecionada para os testes depois de passar por diversas sessões de quimioterapia, que não tiveram resultado na cura de um tumor em sua mama direita. O prognóstico era que Judy teria apenas mais três meses de vida. Segundo os médicos que a atenderam no Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, Judy teve uma “notável” resposta à imunoterapia. Ela já está livre da doença há dois anos, ou seja, realmente eliminou as células doentes.

“Nós desenvolvemos um método de alto rendimento para identificar mutações presentes em um câncer que foi reconhecido pelo sistema imunológico”, disse um dos autores do novo estudo, Steven Rosenberg, do Instituto Nacional do Câncer, em entrevista à BBC. O especialista lembra que trata-se de uma pesquisa até o momento em fase experimental, mas vista como uma esperança. “Como essa nova abordagem de imunoterapia depende de mutações, e não do tipo de tumor, ela é em certo sentido um molde que podemos utilizar para o tratamento de vários outros tipos de câncer”, afirmou Rosenberg.

De acordo com Rosenberg, a nova abordagem de imunoterapia é uma forma modificada da “transferência adotiva de células”, que tem mostrado eficácia para o tratamento de melanoma, um tipo de câncer com altos níveis de mutações em células somáticas. “Todo câncer tem mutações e é isso que estamos atacando com essa imunoterapia. É irônico que as muitas mutações causadas pelo câncer possam se tornar os melhores alvos para os tratamentos de câncer”, finaliza o autor do estudo.

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