A rinite é a doença alérgica mais comum na primavera. Foto: Reprodução da Internet

Na próxima semana, o hemisfério sul recebe a chegada da primavera, estação conhecida pela época de floração de pequenas e grandes plantas e até mesmo das árvores frutíferas. Porém, nem tudo são flores, porque é a época em que muita gente sofre com as crises alérgicas, devido ao pólen das plantas.

Dr Giovanni Di Gesu. Foto: Arquivo Pessoal

Crises respiratórias e também alergias cutâneas podem atingir principalmente crianças e adolescentes. Membro do Departamento Científico de Rinite da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia – ASBAI, o alergista e imunologista da Santa Casa de Porto Alegre, Giovanni Di Gesu diz que os pólens de gramíneas, como o azevém, por exemplo, são os mais frequentes indutores de alergias. “Carregados pelo vento, têm grande capacidade de penetrar nas mucosas do nariz e dos olhos”, afirma.

As alergias podem ser tanto respiratórias quanto de cutâneas, com sintomas variados, mas principalmente com a presença de vermelhidão das áreas e bastante coceira. Evitar tapetes e cortinas, bem como manter um ambiente arejado, são algumas das ações que evitam as crises alérgicas. A poeira também pode provocar reação alérgica e por isso é importante manter os ambientes limpos.

Além disso, é importante que o paciente procure um médico assim que perceber os primeiros sintomas. Conforme Giovanni, quanto mais cedo o diagnóstico for definido e forem estabelecidas as causas da alergia, melhores serão os resultados obtidos no controle da doença.

Leia a entrevista completa com Giovanni Di Gesu, especialista em alergias
Jornal Ibiá – Quais as alergias mais comuns durante a primavera?
Giovanni Di Gesu –
A rinite é a doença alérgica mais comum na primavera, assim como nos meses de outono e inverno na região sul do nosso país. No Brasil, um estudo do International Study of Asthma and Allergies in Childhood (ISAAC) mostrou frequência média de 12,5% de rinite entre crianças de 6 e 7 anos e cerca de 20% em adolescentes com idades de 13 a 14 anos. A incidência progride até a adolescência, fase da vida em que pode afetar até 25% da população. É na estação que se aproxima, que as pessoas sensíveis aos pólens podem ser especialmente afetadas pelos sintomas típicos da rinite alérgica.

 JI – Qual a alergia não respiratória mais comum?
GDG –
Enquanto a rinite é a doença alérgica mais comum, tanto em crianças como em adultos, as outras condições alérgicas podem variar de acordo com a faixa etária. Crianças pequenas podem ser acometidas pela dermatite atópica e pelas alergias alimentares. Os adultos apresentam como manifestações alérgicas não respiratórias mais comuns, as urticárias, as dermatites por contato e as alergias a medicamentos.

JI – O que provoca estas alergias na primavera?
GDG –
Os pólens, que são partículas microscópicas produzidas pelas plantas e que correspondem aos seus elementos reprodutores masculinos. Em nosso meio, os pólens de gramíneas, em especial do azevém, são os mais frequentes indutores de alergias. Carregados pelo vento, têm grande capacidade de penetrar nas mucosas do nariz e dos olhos.

JI – Quais sintomas das alergias respiratórias? E de pele?
GDG –
Os sintomas clássicos da rinite alérgica são: crises de espirros, coriza transparente, coceira no nariz (podendo atingir também os olhos, ouvidos e a garganta) e entupimento nasal. Na primavera, os sintomas de rinite são muito frequentemente acompanhados por sintomas oculares (coceira intensa, olhos vermelhos e lacrimejamento), configurando o que se denomina de rinoconjuntivite alérgica.
O sintoma que está presente na grande maioria das doenças alérgicas que atingem a pele é o prurido (coceira). Sintoma este muitas vezes intenso, perturbador e incapacitante. As urticárias caracterizam-se pelo surgimento de placas avermelhadas, com coceira e relevo, que mudam de lugar e podem afetar qualquer área do corpo. Em cerca de 20% dos casos podem ser acompanhadas por edema em lábios, pálpebras, mãos, pés ou genitália (angioedema). Em algumas situações mais graves, pode ocorrer edema de vias aéreas superiores causando dificuldade respiratória e risco de vida.

JI – Como prevenir as alergias?
GDG –
Quanto mais cedo o diagnóstico for definido e forem estabelecidas as causas da alergia, melhores serão os resultados obtidos no controle da doença. O médico especialista, através de dados da história clínica e do exame físico, poderá solicitar exames ou realizar testes alérgicos muito importantes para a confirmação diagnóstica. A identificação dos agentes causadores das alergias é imprescindível para as medidas preventivas a serem adotadas.

JI – Qual o tratamento correto?
GDG –
Além das medidas de controle para diminuir ou eliminar a exposição ao(s) agente(s) causador(es), o tratamento pode ser realizado com medicamentos para crises agudas e com medicamentos preventivos, que visam diminuir a frequência e intensidade das crises. Atualmente são disponíveis medicamentos muito seguros, mesmo para quando for necessário o uso por períodos prolongados. Em situações especiais, pode-se empregar a imunoterapia, tratamento indicado para induzir tolerância a um determinado agente causador de alergias.

JI – Há riscos para o surgimento de problemas maiores, caso a alergia não seja tratada corretamente?
GDG –
A rinite alérgica não controlada pode provocar muitos transtornos pelo desconforto dos sintomas geralmente intensos. Existem evidências de que a obstrução nasal pode prejudicar o sono, causando transtornos do humor, irritabilidade, sonolência, mau desempenho na escola ou no trabalho. A rinite alérgica pode facilitar complicações como as otites e sinusites, além de ser fator de risco para desenvolvimento de asma ou dificultar o seu controle adequado.

JI – Na prática, quais os cuidados em cada cômodo da casa?
GDG –
Sabe-se que as causas de rinite alérgica mais comuns estão relacionadas a agentes presentes no ambiente de casa (ácaros da poeira, fungos ou epitélios de animais domésticos). Deve-se preferir um ambiente mais simples, arejado, principalmente no ambiente do dormitório. Deve-se evitar tapetes e estofados ou outros objetos que dificultem a limpeza.

JI – É mito ou verdade que animais de estimação são proibidos em casas de pessoas com tendências alérgicas?
GDG –
A alergia aos bichos de estimação pode surgir pela sensibilização a resíduos minúsculos de pele (caspa), que vão sendo dispersas no ambiente pelo animal (cães, gatos, roedores). Estofados de tecido, almofadas, cobertores, colchões e travesseiros podem se transformar em “reservatórios” desta escamação de pele do animal. Estas partículas aderem às mucosas dos olhos e do aparelho respiratório, podendo causar os sintomas alérgicos característicos.
Sabe-se que afastar o animal de casa pode trazer grandes prejuízos emocionais, e a tal atitude só deve ser adotada em situações extremas. Apelando ao bom senso, deve-se limitar os ambientes onde o animal pode circular, evitando-se que entre no dormitório. A utilização de tecidos impermeáveis especiais nos estofados e a limpeza frequente e adequada, são suficientes para minimizar o problema.

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