menor e mais estreito, o modelo gerou desconfiança entre os parlamentares que querem retirá-lo de linha

Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 82/2015, que pretende por fim ao estepe de emergência, menor e mais magrinho que os pneus convencionais, no mercado automotivo nacional. Sem citar justificativas técnicas e com argumentos frágeis, o PL afirma que o uso do estepe temporário provoca dúvidas quanto à segurança do veículo e “certamente” causa prejuízos ao consumidor.

Há quem diga que o objetivo de usar esse tipo de estepe, de dimensões menores, é a redução de custos e o aumento dos lucros, mas especialistas garantem que não. Além de não haver demanda significativa do mercado de reposição, a carcaça desse tipo de estepe é reforçada, fazendo com que o material aplicado seja mais caro do que o convencional. Portanto, não se trata de um pneu mais frágil. Os pneus de emergência passam pelos mesmos testes – como frenagem, dirigibilidade em pistas seca e molhada – que os pneus convencionais.

gerente de vendas da Betiolo/Fiat, Geison Kunrath

Pneu Quebra – galho
A Fiat adota os pneus de emergência em dois modelos, no Toro e no último lançamento da montadora, o Argo na versão HGT. De tão recente que é a tecnologia, a revenda Betiolo em Montenegro aponta que ainda não há feedback de clientes. Mas aponta que o item é regulamentado e atende aos requisitos de segurança. “É uma peça pequena, não há porque correr risco com uma peça que não fosse segura”, observa o gerente de vendas Geison Kunrath. Ele ainda aponta que deve ser um item de pouco uso. “É para ser usado até chegar na borracharia, um estepe de socorro, só para quebra-galho mesmo”, afirma Geison.

consultor de negócios da Sinoscar/GM, Giovani Timm

Na Sinoscar/GM, já houve registros de clientes que não compreenderam um pneu mais estreito no porta-malas. Nessa etapa, é importante apresentar as informações técnicas e as vantagens do pneu de emergência aos consumidores. “É prático para manuseio em uma troca, para mulheres, por exemplo”, afirma o consultor de negócios Giovani Timm. Ele acrescenta que após uma conversa os compradores mudam de opinião. “Explicamos que na tecnologia de hoje esse pneu praticamente não fura, além do carro ficar mais leve, o que resulta em menor consumo de combustível”, destaca Timm.
A GM entrega todas as unidades novas com esse modelo de pneu reserva, a exceção da caminhonente S-10.

diretor da Brenner Veículos/Ford, Marco Brenner

Na Brenner, revenda Ford, o pneu de emergência está no Fox e no Fusion, que são fabricados nas unidades do México e da Argentina. Nos demais, seguem os pneus convencionais. “Prefiro que venha pneu original, que pode-se compor o conjunto de pneus do carro, não há limitações de velocidade para rodar”, aponta o diretor Marco Brenner. Por outro lado, ele também reconhece as vantagens do pneu mais fino. “Nunca vai operar sob pressão, dificilmente vai furar e não tem valor comercial”, o que inibe os furtos desse tipo de estepe, observa o empresário.

gerente de vendas Tiago Rambo da Comauto/VW

Nos veículos da Volkswagen, o pneu de emergência foi testado e retirado dos planos da empresa no Brasil. Os modelos Jetta e Tiguan chegaram a sair de fábrica com o item, mas a montadora decidiu voltar atrás.

“O pessoal não gostou, houve reclamações. A fábrica já nos avisou das mudanças”, aponta o gerente de vendas da concessionária Comauto/Volkswagem, Tiago Rambo.

O limite de 80 quilômetros por Hora
Um aspecto que realmente interfere na vida do motorista é o fato do estepe de uso temporário só poder rodar até 80km/h, conforme estipulado por uma regulamentação internacional. Como suas dimensões são inferiores, o pneuzinho apresenta raios dinâmicos diferentes dos usados para rodagem, alterando o comportamento normal do veículo e, ainda que em escala menor, o funcionamento de alguns sistemas, como o diferencial. Por razões óbvias, o temporário não pode entrar no rodízio de pneus. Com ele também não vai ser possível usar o sobressalente para economizar a compra de um pneu na hora de trocar um jogo ou meio jogo de pneus desgastados, onde muitas vezes ele é substituído pelo de melhor estado.

EM MONTENEGRO
Dentre os motoristas há opiniões diversificadas. O jornalista Guilherme Baptista ainda aguarda o carro novo chegar da montadora, e soube do novo item de série. “Todo item que venha a aumentar a segurança é importante. A escolha pelo Argo foi justamente por aliar segurança com tecnologia, design, conforto, desempenho e economia”, aponta Guilherme. Taxista há 40 anos em Montenegro, Adão Rodrigues Chagas é resistente quanto a essa mudança no padrão de pneu para estepe. “Pneu menor, a adesão também é menor. Pra mim que carrego peso, não serve. Prefiro ainda os originais”, afirma seu Adão.
E quem tiver um destes no porta-malas, deve ficar atento a outro detalhe: eles também têm prazo de validade, especificado pelo fabricante.

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