Nonconformity em sua formação de 1995. Foto: arquivo pessoal

Uma das bandas mais renomadas de Thrash Metal gaúcho é montenegrina. Com “FuManchu” Marcus Teixeira na Voz, Adriano Zietlow na guitarra, Cassio Araújo no baixo e Yuri Porto na bateria, a Nonconformity tem um som visceral, pesado, com letras carregadas de manifestos sociais.

Com formação original em março de 1994 (que se manteve até 1997), sofreu influências de bandas ícones do gênero como Exodus, Kreator, Slayer e Sepultura – com uma música que inspirou o nome da banda. E ela foi a banda precursora de Thrash metal em Montenegro, em um projeto ousado para a época. Ainda muito novos, à época com 13 para14 anos e FuManchu, o mais velho da turma, com 20, encontraram-se por acaso em frente ao já extinto Gula’s Burguer. Em uma troca de ideias, descobriram que gostavam do mesmo som e tinham o sonho em comum de fazer música. A lancheria já não existe mais, mas foi marco da história da banda. “Quando os encontrei, eram uma gurizada nova, em um cenário novo, que tocava muito. Na época tiravam som de Slayer, Black Sabbath, Sepultura. Para idade deles era algo surpreendente”, destaca o vocal.

No início, segundo relembram FuManchu e Adriano, as atividades eram mais de cover, com reprodução de clássicos de outras bandas. E a partir de 2000, a banda empreendeu nova fase, depois de uma pausa de dois anos, com composições próprias. O lançamento do primeiro cd demo veio em seguida, o Chaos Insane Religion, em 2001, que abriu portas e trabalhos, segundo os músicos.

Citado em revistas, algumas com vinculação fora do país, e com diversas participações em rádios, entrevistas para jornais e televisão, o grupo é conhecido também como banda clássica gaúcha dentro do estilo musical pesado.

“Acredito que a Nonconformity se consolidou e perdura por tanto tempo porque nos mantemos sempre fieis ao estilo. As raízes foram tão bem feitas que o trabalho teve continuidade, não se desfez”, destaca Adriano.

Em um contexto completamente diferente do que quando iniciaram, os dois músicos destacam que mais da metade dos fãs antigos prestigiam, ainda hoje, o trabalho. “Em meados de 90, era outro cenário. Em termos de música, de desenvolvimento, era ainda mais deficitário. Não havia lojas de música em Montenegro, tínhamos que ir buscar tudo fora. E também não havia internet, então tudo era no boca a boca. Era tudo muito tosco e primitivo. Só tínhamos uma ideia e a vontade de fazer, mas não sabíamos como”, conta Adriano.

Nos primeiros ensaios, o guitarrista relembra que sequer tinha guitarra. Era um violão, com um captador adaptado. Estúdios, quartos e até lavanderias serviram de abrigo para passarem o som antes das apresentações. “Tocamos nos melhores e piores lugares, para duas ou três pessoas ou para muitas. E sempre com a mesma vibração, que é a Nonconformity. A galera gosta bastante da energia que costumamos passar através das letras e som forte, marcante”, diz FuManchu.

Levando o Groove Metal para outros Estados

da esquerda para a direita: Yuri Porto, “FuManchu” Marcus Teixeira, Cassio Araújo e Adriano Zietlow. Foto: arquivo pessoal

Com consciência de todo o passado da banda, que amadureceu tanto o som quanto as letras e visão musical com o passar dos anos, os integrantes já tocaram dentro e fora do Estado. Em 2015 participaram, ao lado de outras bandas renomadas, de um evento tradicional em Santa Catarina e já, inclusive, levaram sua música para São Paulo – que tornam a se apresentar em setembro deste ano. O som feito pela Nonconformity também transcendeu as fronteiras, com downloads na Rússia.

Na cidade, o primeiro show foi na chácara do Kebach. E em meados de 1995 tocavam em festivais e circuitos de rock montenegrino. Eles relembram com nostalgia dos eventos no Parque Centenário, Cais do Porto e Estação. Barco Flutuante, bar sobre o rio Caí, praça dos Ferroviários e festivais do Baixio também integram a lista e memória dos integrantes. “O metal sempre teve seu espaço no mercado musical. Sempre vai ter gente que vai gostar, mas nunca será algo que tocará na rádio, TV… É uma música de exceção. Assim como jazz, blues, sempre terá seu público. Queremos continuar por mais 20 anos”, pontua Adriano. “E é preciso amar a música, gostar daquilo que se faz, para viver como artista aqui no Brasil. E os estilos de metal, heavy metal e rock and roll a galera apreciadora é a mais fiel. Eu escuto os mesmos álbuns do que quando tinha 14 anos, com a mesma vibração. E pensando na Nonconformity, olho para trás e vejo que estamos entre as melhores bandas com o trabalho construído, isso é muito satisfatório”, complementa FuManchu.

linha do tempo
1994: Nascimento da banda. A formação original ficou até 1997
2000: Retorno das atividades, após dois anos de parada
2014: A banda inicia o processo de gravação do Debut Album “Shackled” no Estúdio Hurricane, com a produção a cargo do produtor Sebastian Carsin
2016: Lançado o álbum “Shackled”, com 10 faixas
2017: Lançamento de clipe
2018: Lançamento de novo single e pretensão do segundo álbum

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