“A arte é algo que está dentro de todas as pessoas, é uma maneira de compreender a realidade”, afirma o artista Daniel Gehlen, feliz em sua jornada artística. Foto: arquivo pessoal

Seguir a carreira musical é o sonho de diversas pessoas. E muitos concordam que ser músico no Brasil não é uma tarefa fácil. Falta valorização profissional e conquistar espaço em um mercado tão disputado pode ser desgastante.

Mas quem decide viver da arte também o faz por amor, afinidade e talento. E montenegrinos como Daniel Gehlen escolheram a música para seguir carreira. Com dedos que tocam com destreza as cordas do violão e voz melodiosa, ele conta que tem contato com a música desde criança.

“E descobri afinidade quando iniciei meus estudos em violão erudito no curso básico de música da Fundarte, em Montenegro. Foi uma vivência muito boa, lá fiz muitas amizades e a música estava em todo lugar”, salienta.

Tendo iniciado a carreira efetivamente aos 15 anos, a música representa, em sua vida, uma fonte de energia. “A fase mais difícil pra mim foi entre 2007 e 2009, antes de eu entrar para a Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Eu tocava em alguns lugares, aqui em Montenegro, e eventos, mas eram poucas as datas de apresentação. Não sabia mais o que iria fazer e tentei ser vendedor de roupas, trabalhei no mercado. Tudo que pudesse para conseguir uma renda”, conta.

Foi desde que passou na UFRGS, em 2010, que uma nova jornada iniciou em sua vida. “Ser artista no Brasil não é uma tarefa fácil. Talvez, o mais difícil seja fazer um trabalho autoral, algo diferente. A mídia domina a maior parte do cenário artístico e o público acaba não sabendo da diversidade de artistas locais que produzem coisas bem legais de assistir”, completa.

Daniel ainda destaca que é difícil quebrar a rotina das atrações, mas que, aos poucos, isso será superado e as pessoas terão mais opções. “Outra coisa é confundir arte com entretenimento. Para mim, algo que se faz só por entretenimento acaba perdendo o sentido de arte. A arte é algo que está dentro de todas as pessoas, é uma maneira de compreender a realidade. O artista se relaciona com o mundo de forma profunda e, depois disso, expressa algo que está aí. Assim, criamos outras dimensões de ser e de estar”, define.

Projetos e processo criativo
Entre músicas autorais instrumentais e canções, o músico Daniel Gehlen nutre a vontade de gravar um álbum com suas composições. “Daqui a cinco anos, espero estar tocando, compondo, gravando bastante e dando aulas de música, que é uma das coisas que mais gosto, passar adiante o que eu aprendi”, pontua.

Atualmente focado nas aulas de música, salienta que tem preparado um material com bastante conteúdo para seus alunos de violão e guitarra em Porto Alegre. “Isso tem me ocupado bastante. Por isso, não estou marcando shows. Mas, a partir de setembro, estarei estudando algumas parcerias com espaços aqui em Montenegro”, diz.

As inspirações? O pai, que também é músico, e os professores. “Não tenho assim, por exemplo, algum tipo de som. Estou sempre construindo novas inspirações”, termina.

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