Atriz Natalie Portman treinou oito horas diárias e emagreceu nove quilos para viver a bailarina Nina, no filme Cisne Negro. Foto: Reprodução da Internet

Ao assistir uma peça teatral, um filme, uma série ou qualquer outra representação cênica, não nos damos conta do refinado processo de criação dos personagens. Mais presente no cinema, atores e atrizes abrem mão da vaidade e até passam por momentos sacrificantes para emplacar cenas o mais realista possíveis. Muitos artistas são exemplos de diversas transformações físicas e mentais aplicadas em nome da arte.

Em cena, apresentam incríveis performances que até podem chocar o público. Os processos podem se estender desde a pesquisa de texto, até as gravações e apresentações nos palcos.

Professor de Teatro da Uergs Montenegro, Marcelo Adams diz que existe uma diferença entre as composições cinematográficas e teatrais. “Há uma característica específica no cinema, onde o realismo das cenas é bem forte. O teatro não possui essa peculiaridade”, afirma.

As exigências para os dois tipos de atores também são distintas. Nas produções de filmes, o cuidado com a perfeição é muito marcante. Maquiagens, padrão corporal que combine com a história e ações desenhadas como se fosse na vida real. “Quando falamos de peças teatrais, temos a existência de uma dosagem nas características físicas. Usamos a maquiagem para reforçar as expressões e trabalhamos com preenchimentos”, aponta o professor.

Artistas vivem como moradores de rua por 24 horas para melhor atuação

Ator João Pedro Decarli viveu como morador de rua por 24 horas a fim de incorporar um personagem. Foto: Facebook pessoal

O ator e estudante de Teatro na Uergs, João Pedro Decarli, 28 anos, passou 24 horas na rua, na cidade de Bento Gonçalves, junto da colega e amiga Nina Picoli. A ação fez parte da pesquisa para o TCC de Nina, que falava de um personagem excluído da sociedade. A fim de aprofundarem a pesquisa, foram até a Serra Gaúcha somente com o dinheiro da passagem de ônibus e passaram um dia como moradores de rua. “Um amigo teve que ir entregar dinheiro para a passagem de volta pra casa”, conta o ator.

João afirma que portava apenas uma garrafinha de água, papelão e isqueiro. “Muita coisa que aconteceu conosco entrou para o espetáculo. Ganhamos um cobertor de uma mulher e usamos em cena”, revela. A dupla não tinha conhecidos por perto, estava sem comida, enfrentando o frio e a chuva.

Conforme o estudante, o sono durou apenas um pouco mais de duas horas. Além disso, não portavam telefone e se alimentaram com o que ganharam das pessoas e de outros moradores de rua. Em nenhum momento o motivo de estarem no local foi revelado. Falavam pseudônimos e improvisavam para responder os questionamentos das pessoas.

O espetáculo “Alaranjado” surgiu a partir da pesquisa, apresentado em 2016, na Fundarte. “Se não tivéssemos essa experiência na rua, o espetáculo não aconteceria com os detalhes que teve”, afirma. Para outra peça teatral, João passou seis meses malhando intensamente a fim de representar um boxeador. “Todo trabalho de espetáculo requer algum tipo de pesquisa, alguns até mais intensos que o normal”, destaca.

Professor Marcelo Adams diz que nas produções de filmes o cuidado com a perfeição é muito marcante. Foto: Blog Impressões Digitais

O professor Marcelo Adams também teve transformações físicas ao se preparar para uma apresentação. “Perdi peso para viver ´uma personagem´ que vivia em um campo de concentração. Pratiquei exercícios e diminuí a ingestão de alimentos, mantendo todos os cuidados possíveis”, afirma Adams, contando que o processo foi realizado por conta.

A atriz Tuti Kerber também conta de uma privação que viveu um dia antes de atuar. “Fui no show do Guns N’ Roses e não cantei, nem gritei e fiquei sem beber coisas geladas para não afetar a minha parte vocal. Precisava entrar em cena no dia seguinte”, revela.

Vejas as coisas mais chocantes na indústria cinematográfica:
Filme: BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS
O falecido ator australiano Heath Ledger entrou em um processo de imersão chocante em preparação para o vilão Coringa. O ator foi homenageado com um Oscar póstumo de Melhor Ator, depois de se trancar em um quarto de hotel por seis semanas, privando-se do sono e tomando medicamentos prescritos para mergulhar na psiqué do maníaco Coringa.

Filme: O RESGATE DO SOLDADO RYAN
O elenco do filme passou por um vigoroso treinamento em campos de treinamento para serem soldados da ficção. O ator americano Matt Damon foi o único que não teve que participar das rigorosas sessões de treinamento físico. O diretor Steven Spielberg queria que o resto do elenco se ressentisse com ele, de forma que isso se refletisse em sua atuação.

Filme: HOMEM DE FERRO 2
O ator americano Mickey Rourke também passou por uma longa preparação para viver o personagem russo Ivan Vanko. Rourke aprendeu suas falas em russo, comprou acessórios com seu próprio dinheiro e até visitou uma prisão em Moscou.

Filme: O PIANISTA
O americano Adrien Brody ganhou o Oscar de Melhor Ator no papel de um sobrevivente do Holocausto. Para tentar entender a profundidade do processo de perda, experimentada por seu personagem, Brody terminou com sua namorada, e desistiu de todos os seus pertences e estilo de vida de Hollywood.

Filme: ESQUADRÃO SUICIDA
O ator Jared Leto teria feito coisas bem loucas durante as filmagens, de acordo com o Screen Rant. No papel do diabólico Coringa, Leto enviou aos outros membros do elenco estranhos presentes relacionados aos respectivos papéis, incluindo um porco morto.

Filme: O CISNE NEGRO
A atriz Natalie Portman interpretou a bailarina Nina, personagem principal da história, ganhando o Oscar de melhor atriz. Portman passou por um ano de treinamento diário de oito horas para incorporar a bailarina com maestria e perdeu mais de nove quilos para viver a personagem.

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