O mágico Luiz da Motta e sua assistente Rose Doigtlander em número apresentado na Escola Estadual de Ensino Fundamental Dr. Jorge Guilherme Moojen

Olhares fixos nas mãos anciãs que seguram, entre os dedos, uma carta do baralho. Um breve movimento e ela desaparece bem em frente aos olhos compenetrados, como num passe de mágica. A plateia explode em aplausos, assovios, em gritos de surpresa. Uaaaau.É mágica pura. Ilusionismo que mexe com os sentidos. Para onde foi a carta? Como isso é possível?

O ilusionismo é uma prática que encanta a humanidade com suas artimanhas desde cerca de 2.000 anos antes de Cristo. E em Montenegro, fazendo jus ao título de Cidade das Artes, Luiz de Mattos, 72 anos, dedica-se a levar esta arte às escolas, não só da cidade, mas de toda a Região Sul do Brasil.
De março a dezembro, ele coloca a mala nas costas, com os 40 truques que integram sua apresentação, e percorre, entre subidas, descidas e caminhos sinuosos, os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, em seu motorhome. “Com disciplina, humildade e educação, faço meu roteiro ao público infantil e adolescente, procurando escolas que queiram abraçar esse espetáculo. E eles adoram os números, os olhinhos chegam a brilhar”, destaca Luiz.

O amor pelo ofício, segundo conta, começou muito cedo, quando assistiu a um show no bairro Faxinal. E há aproximadamente 15 anos decidiu: tornaria-se mágico, arrancando sorrisos em um mundo tão cheio de tristezas, por onde passasse.
Antes de iniciar, Luiz tinha também o desejo de ser motorista e acabou atuando por bastante tempo nessa área. “Mas resolvi parar com os caminhões e me dedicar ao mundo do mistério e do ilusionismo. Comprei uma caminhonete Caravan e uma barraquinha e fui desbravar esse mundo, começando por Lages, Santa Catarina”, afirma.

Em muitos lugares por onde passou, o mágico viu a cultura ser valorizada e recebeu diversos tipos de apoios. O senhor de cabelos grisalhos e fala ágil carrega, ainda, na bagagem da vida, o período em que trabalhou como artista de picadeiro, em três circos pequenos que teve.
Luiz lembra como se tivesse sido ontem o primeiro truque que aprendeu: fazer a carta desaparecer. “Demorei um mês para desenvolver a prática necessária. E posso afirmar com todas as palavras que amo fazer o que faço, trazer isso às crianças, a mágica, que elas chamam de mistério”, salienta.

Para que o espetáculo saia sempre conforme o esperado, agradando a seu público, ele conta com a ajuda da assistente Rose Doigtlander, 24 anos. “Ficaremos durante um mês em Montenegro, fazendo os espetáculos. É importante valorizar a cultura daqui, e todos os alunos que vêm prestigiar a apresentação estão, de certa forma contribuindo com isso”, orgulha-se Luiz.

Alguns truques
– Fazer uma carta do baralho desaparecer das mãos
– Tirar pequenos objetos de grandes superfícies
– Emendar argolas de ferro, aparentemente sem abertura para encaixe

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