Nasci e fui criado em Montenegro e nessa cidade morei boa parte da vida. Embora já tenha saído da região há algum tempo, tive, também, o privilégio de trabalhar no Jornal Ibiá por bons anos e, com isso, aprendi algumas coisas bem interessantes. Não apenas sobre jornalismo, mas sobre modificação de uma cultura, ou uma forma de se pensar ou ser.

Um veículo de comunicação como o Jornal Ibiá, que completa 35 anos, não foi estabelecido e existe apenas como um órgão informativo comum em uma cidade. Por experiência prática, percebi que é muito mais do que isso. É um elemento que pode e deve interferir na cultura da cidade, na forma de as pessoas pensarem sobre a sua própria comunidade.

O bom jornalismo, aquele que é feito com seriedade e pautado nos interesses genuínos do bem comum, portanto dentro da ideia de comunicação social, tem uma missão de grande e nobre impacto. As palavras e fotos impressos no passado e hoje, também digitais, compartilhadas nas redes sociais junto com vídeos, precisam servir para conscientização, capacidade de fomentar um pensamento crítico e, por isso, promover o desenvolvimento de uma comunidade. Desenvolvimento que se faz não apenas com obras de construção civil, mas com gente pensante, empreendedora, criativa, inovadora, ciente dos seus direitos e responsável por seus atos. O Ibiá nasceu para isso, para ser um veículo de transformação.

Nessa trajetória, e eu tive uma participação nisso, algumas reportagens produzidas incomodam certos grupos com interesses escusos, outras evidenciam excelentes exemplos dentro da sociedade e que merecem ser imitados e, ainda, muitas chamam a atenção para questões que, talvez, não viessem à tona com algum tipo de análise de outra forma.

Jornalismo, via de regra, não foi estabelecido para acomodar interesses (infelizmente, alguns grupos de comunicação nacionais não compreendem isso), mas para incomodar, questionar e suscitar debates e discussões importantes. O jornalismo útil vem com o propósito de oferecer olhares sobre assuntos em que a população está totalmente envolvida. Os olhares mais plurais possíveis.

Não vou incorrer em uma visão romântica e utópica do jornalismo ou dos meios de comunicação como únicos mediadores legítimos da sociedade. Não creio nisso, até porque há outras instâncias e organizações que contribuem, também, com inquestionáveis bons resultados. Mas o bom jornalismo, que sempre caracterizou a equipe do Jornal Ibiá, tem colaborado há 35 anos para Montenegro enxergar a realidade sob diferentes pontos de vista. Eu considero um válido e eficiente instrumento para que os montenegrinos e todos os que escolheram a cidade para viver tirem suas conclusões sobre o que fazer para tornar o município melhor, sobre como melhor votar, de forma mais responsável, e a respeito do tipo de sociedade que se quer.

O Ibiá, nesse sentido, é agente transformador da cultura o tempo inteiro. Quando informa para que as pessoas consigam formar sua opinião e se posicionem. Ou quando se envolve em causas importantes da sociedade e sinaliza que a participação da coletividade é que faz a diferença para criar espaços e ambiente mais saudáveis, mais solidários e mais artísticos.

A cultura de Montenegro não pode negar que recebe a interferência do Jornal Ibiá e vice-versa. O Ibiá e sua forma de transmitir as notícias se confundem com a própria identidade da cidade. Uma identidade construída com um jornalismo que certamente continuará servindo à sociedade, aos interesses de todos os montenegrinos por nascimento ou adoção, para um só objetivo: ter uma cidade digna do orgulho dos que aí vivem atualmente e dos que, como eu, estão longe, mas não ignoram suas raízes.

Felipe Lemos
Jornalista

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