ETE TEGA é a maior em Caxias e beneficia 200 mil habitantes. Inaugurada em 2012, está apta a tratar até 440 litros de esgoto por segundo e se estende por 34 quilômetros de rede coletora e interceptora. Foto: Divulgação/Samae

A experiência de Caxias do Sul, uma das 42 cidades da região de abrangência da bacia hidrográfica do Rio Caí, é um exemplo de que o caminho do tratamento de esgoto é longo. No município da Região Serrana, as primeiras redes de esgotamento sanitário foram implantadas na década de 70.

ETE Serrano, primeira estação de Caxias, beneficia 25 mil pessoas e tem capacidade para tratar até 25 litros de esgoto por segundo. Sua operação iniciou em 1992. Foto: Divulgação/Samae

Em Caxias, o atendimento é municipalizado através do Serviço Autônomo Municipal de Águas e Esgoto (Samae), uma autarquia responsável pelo abastecimento de água e pelo esgotamento sanitário. O diretor presidente do órgão, Gerson Panarotto, afirma que inicialmente foram instalados poucos quilômetros de rede na região central da cidade. No começo dos anos 90, houve novo investimento nessa área. “O Loteamento Serrano, parcelamento irregular que se constituiu dentro da área de uma das bacias de captação que servem ao abastecimento de água da cidade, foi objeto de implementação de todo o sistema coletor e também da primeira Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) do município”, acrescenta. Ele observa, no entanto, que somente a partir de 2002, com a aprovação do Plano Diretor de Esgotamento Sanitário, iniciaram-se os investimentos de maior porte.

Gerson Panarotto, diretor presidente do Samae. Foto: Divulgação/Samae

Para implantação, Panarotto afirma que o plano subdividiu a cidade em 16 microbacias e o Samae contratou projetos para implantação dos sistemas de tratamento e das redes coletoras tronco e emissários nas cinco bacias maiores, abrangendo cerca de 80% do perímetro urbano. Nestas microbacias, bairros e loteamentos onde já há a rede separadora implantada, o esgoto é levado às ETEs através de redes coletoras. Panarotto esclarece que, nos locais em que não há rede do tipo separador absoluto – na qual as águas pluviais e esgoto seguem em redes independentes -, o Plano previu o uso do sistema coletor unitário, ou seja, o uso das redes de microdrenagem como coletoras também de esgoto sanitário.

“Com a aprovação do Plano Diretor de Esgotamento Sanitário, em 2002, todos os novos parcelamentos (loteamentos, divisões de terrenos) implantados na cidade já tiveram que executar as redes separadoras”, afirma o diretor. Atualmente, cerca de 90% da população é atendida com rede coletora dos tipos unitária ou separadora e aproximadamente 50% com tratamento de esgoto.

Na cidade serrana, os investimentos no serviço de coleta e tratamento de esgoto contaram com recursos do Município e da União. Panarotto afirma que as obras de implantação do sistema Serrano, na década de 90, foram garantidas com verba do programa Prosege, do Governo Federal, e contrapartida da Prefeitura. “As obras mais recentes, executadas entre 2007 e 2015, foram financiadas com recursos dos Programas Pró-Saneamento e PAC, através de financiamentos e recursos de contrapartida do Município”, acrescenta.

Etapas para o tratamento de esgoto
Uma ETE é um conjunto de unidades de tratamento, equipamentos e estruturas auxiliares que visam remover os poluentes presentes no esgoto para que possa devolver ao ambiente uma água livre de contaminantes. Em Caxias do Sul, as ETEs são compostas por diferentes etapas, que podem variar de acordo com a época de construção da estação. Confira:

Gradeamento: é a primeira etapa do tratamento do esgoto, quando ele chega à Estação. Aqui ocorre a retenção dos resíduos sólidos indevidamente lançados na rede de esgoto, como fraldas, papel higiênico, restos de alimentos e até roupas e calçados;

Caixas de areia: essa estrutura retém areia e outros resíduos menores que passaram pela etapa do gradeamento;

Reator anaeróbico: o efluente passa por tanques fechados na presença de bactérias anaeróbias, para degradação da matéria orgânica;

Filtro biológico aerado: o efluente passa por filtros de brita onde ocorre a injeção de oxigênio e acontece o segundo passo do tratamento biológico, na presença de bactérias aeróbias;

Decantação: o lodo gerado no tratamento biológico é sedimentado por gravidade e o líquido é coletado na parte superficial do tanque através de uma calha;

Desinfecção: adição de produto químico (dióxido de cloro) ao efluente líquido ou encaminhamento do mesmo a uma unidade com plantas macrófitas (Typhas), removendo os vírus, bactérias e outros micro-organismos.
Fonte: Samae

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Atualmente existem 10 estações de tratamento em operação em Caxias do Sul. Há, no entanto, projetos para desativação de três estações com o encaminhamento dos esgotos nelas tratados para as outras estações maiores, o que deve ocorrer nos próximos três anos. Também há projeto de construção de dois novos sistemas, incluindo redes coletoras e estações de tratamento para os próximos cinco anos.
Fonte: Samae

Em Tupandi, primeira ETE foi instalada em 2015

Rafael Sehnem, secretário em Tupandi. Foto: Matheus Klassmann

Mais próximo de Montenegro, Tupandi, no Vale do Caí, conta com uma Estação de Tratamento de Esgoto desde 2015, que atende a cerca de 6% da população. O secretário municipal da Fazenda, Rafael Sehnem, salienta, no entanto, que desde 2013 nenhum habite-se é concedido sem que haja vistoria prévia no sistema individual de fossa e filtro do imóvel, e seja atestado que o processo está de acordo com o projeto aprovado na Prefeitura. Essa medida reduz o impacto ambiental do esgoto doméstico.

Em Tupandi, há uma Estação de Tratamento de Esgoto, instalada no loteamento Vida Nova, que atende a 6% da população. Foto: Matheus Klassmann

Ele acrescenta que a ETE foi instalada no loteamento Vida Nova, que já possuía rede própria para o esgotamento sanitário, com recursos do município. Rafael salienta a importância do tratamento de esgoto para a preservação do meio ambiente, mas pondera que os custos de implantação são elevados. “Principalmente das redes, é bastante elevado, ainda mais se considerarmos o relevo acidentado de nossa cidade e o fato de nossa malha urbana não estar muito concentrada”, pondera.

Ele observa que uma alternativa é a implantação de estações menores, em locais com maior densidade populacional. “Diminuindo os custos da rede, porém aumentando os custos de manutenção”, pondera.

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