Fotos: Arquivo/Jornal Ibiá

Nos quatro pilares do saneamento básico, avançou-se na garantia de água potável para consumo humano, mas ainda há muito a ser feito na coleta de lixo, drenagem urbana e tratamento de esgoto, no país. E sempre é bom lembrar que o despejo de esgoto doméstico é a maior causa de poluição do Rio Caí.

Fotos: Arquivo/Jornal Ibiá

Na avaliação da presidente do Comitê Caí, Karla Leal Cozza, a situação da bacia hidrográfica do Rio Caí não é muito diferente das demais do Estado e do País. Ela observa que o Brasil, como toda nação em desenvolvimento, precisou focar energias no tratamento de água, pois a má qualidade ceifou vidas durante décadas, principalmente das crianças. Embora esses esforços, ainda há regiões brasileiras em que não há água tratada em 100% dos imóveis.

Karla salienta que essas considerações são necessárias para entender o atraso no saneamento básico do País. “Saneamento básico constitui-se em tratamento de água, tratamento de esgotos, coleta seletiva e disposição adequada de inservíveis, e drenagem pluvial urbana”, esclarece.

“Erroneamente, muitas pessoas associam saneamento básico a esgotamento sanitário somente, mas ele é muito mais do que isso”, acrescenta.

Na região da bacia do Rio Caí, tendo em vista os quatro pilares do saneamento básico, o tratamento de esgoto ainda é o mais distante – embora alguns municípios estejam investindo nessa área, a grande maioria nem começou a se mobilizar para garantir o serviço – enquanto a água com qualidade já foi alcançada. “Referente aos outros​ ​dois pilares, acredit​a-se que ​um dos maiores problema​s​ ​seja a questão da drenagem urbana, pois o trecho baixo da Bacia Hidrográfica do Rio Caí sofre com enchentes ​recorrentes”, analisa a presidente do Comitê.

Karla acrescenta que, se houvesse um programa de drenagem natural, ou incentivo ao uso de reservatórios naturais e artificiais de água da chuva, haveria menos problemas. A presidente acrescenta que é preciso considerar no Plano Gestor Urbano que zonas naturais de amortecimento das enchentes estão ocupadas com moradias. É o que acontece no Cais do Porto das Laranjeiras e em bairros muito próximos da margem do Rio Caí, em Montenegro, por exemplo, com Industrial e Ferroviário. “Poucas vezes se considera que o Rio é um organismo vivo e suas enchentes e secas fazem parte da dinâmica biológica do mesmo. Organismos que vivem dentro dele e às suas margens precisam destes ciclos”, afirma.

Na opinião da dirigente, os moradores desses bairros próximos deveriam ser retirados. “Claro que teria de ser gradual, mas seria a atitude mais correta e sensata”, resume.

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Presidente do Comitê Caí, Karla Leal Cozza defende a desocupação gradativa de áreas próximas as margens do rio. Foto: Arquivo pessoal

* 83,3% dos brasileiros são atendidos com abastecimento de água tratada, mas há de 35 milhões de brasileiros sem o acesso a este serviço básico.
* O custo para universalizar o acesso aos quatro serviços do saneamento (água, esgotos, resíduos e drenagem) é de R$ 508 bilhões, no período de 2014 a 2033.
* Para universalização da água e dos esgotos, esse custo será de R$ 303 bilhões em 20 anos.
* Conforme a Organização Mundial da Saúde, cada R$ 1,00 investido em saneamento gera economia de R$ 4,00 na saúde.
* Saneamento também é trabalho: entre 2005 e 2015, o investimento do setor de saneamento brasileiro foi, em média, de R$ 9,3 bilhões por ano. As operações de água e esgotos no país obtiveram uma receita operacional total de R$ 39,5 bilhões.
* As operações sustentaram um total de 340,4 mil empregos e geraram R$ 43,9 bilhões de renda anual na economia brasileira
* Cada R$ 1.000,00 investido em obras de saneamento gerou uma renda na cadeia produtiva da construção civil de R$ 1.190,00 na economia
* Moradores de áreas sem acesso à rede de distribuição de água e de coleta de esgotos têm aumento do atraso escolar, ou seja, escolaridade menor significa perda de produtividade e de remuneração das gerações futuras. Somente o custo desse atraso escolar devido à falta de saneamento alcançou R$ 16,6 bilhões em 2015.
Fonte: Instituto Trata Brasil

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