Luis Carlos de Lara e Ubirajara Pires no novo espaço, onde há divisórias para depósito de material reciclável e dois sanitários ao fundo

“As instalações melhoraram muito, mas a qualidade do lixo continua ruim.” A observação é do presidente da Cooperativa de Trabalho de Recicladores de Resíduos Sólidos de Montenegro Cidade Limpa, Luis Carlos de Lara. Ele trabalhou no antigo “lixão” e acompanhou a transformação do espaço a partir da criação da central de triagem. A estrutura recebeu melhorias neste ano.

Luis e a esposa, Janete Wilbert, já trabalham com separação e venda de material reciclável há cerca de duas décadas. O casal lembra a época em que havia a antiga estação de transbordo de resíduos sólidos que, na prática, era um grande lixão a céu aberto. Em meio ao amontoado de lixo, catadores abriam sacos e sacolas para separar o que poderia ser vendido. O mau cheiro constante se tornava ainda mais forte nos dias de calor. E quando chovia, o único abrigo se limitava a uma pequena estrutura, sem paredes e coberta por telhas. As condições eram totalmente insalubres. Após a estação ser desativada, o local se recupera aos poucos, sendo retomada pela natureza. Na mesma área, distante alguns metros, foi construída a central de triagem.

Luis Carlos explica que, após a triagem, o material é prensado para ser vendido

Luis e Janete acompanharam a construção de um amplo galpão de alvenaria para triagem, inaugurado em 2015. Além da edificação, a estrutura incluiu esteiras e prensas, garantindo melhores condições de trabalho. Mais recentemente, a central de triagem ganhou melhorias. Atrás do galpão, foi construído um espaço com divisórias para guardar alguns tipos de material reciclável para serem comercializados. Um pouco mais distante, à esquerda da entrada da área, foi construído um refeitório e dois sanitários, um masculino e um feminino, com chuveiros.

“Dá para dizer que as condições melhoraram 100%”, analisa Janete. O casal tem 10 filhos, entre 13 e 28 anos, dos quais quatro também trabalham na central de triagem. Roberto Carlos Wilbert de Lara, 24 anos, é um deles. Ele atua no ramo de reciclagem há cerca de oito anos. Nesse período, teve uma rápida passagem, de quatro meses, na empresa de coleta de lixo, no caminhão de recolhimento de material para reciclagem.

Janete com o filho Roberto junto ao prédio onde
há o refeitório e outros dois sanitários com chuveiros

Se por um lado as instalações de trabalho evoluíram bastante nos últimos anos, o mesmo não ocorreu em relação ao material que chega até a central de triagem. “Vem muito lixo misturado (orgânico e reciclável) e a gente não consegue aproveitar”, reclama Luis. Conforme o chefe do serviço de reciclagem de resíduos do município, Ubirajara Pires, cerca de 90 toneladas de lixo, por mês, vão para a central, recolhidas nas residências pelo caminhão de coleta seletiva da Komac, mas o aproveitamento é inferior a 20%. A mistura com material orgânico acaba danificando o lixo reciclável.

Luis acrescenta que, além dessa dificuldade, a cooperativa também enfrenta a concorrência com os catadores que circulam pelas ruas em busca de material para vender. São trabalhadores que também fazem parte do ciclo da reciclagem.

Educação ambiental e conscientização
A mistura do lixo orgânico e seco é um obstáculo no caminho da reciclagem. Para Ubirajara Pires, o problema inicia nas residências, pois significa que ainda é grande a parcela da população que não realiza a separação do lixo, nem respeita o cronograma de recolhimento do lixo comum e da coleta seletiva.

Embora somente o lixo da coleta seletiva seja levado à central de triagem, há muito material orgânico misturado. Por isso, menos de 20% do material é aproveitado. Luis observa que essa dificuldade contribui para reduzir o número de trabalhadores no local. Ele afirma que já houve 18 pessoas trabalhando na triagem de material, enquanto atualmente há apenas oito

O presidente da Cooperativa Cidade Limpa, Luis Carlos de Lara, no entanto, entende que os trabalhadores da empresa de coleta poderiam perceber, pelo peso da sacola de lixo, se era de material reciclável ou orgânico. “E assim deixariam na calçada aquela que não fosse do caminhão que está passando”, acrescenta. A eficiência dessa medida, no entanto, é questionável, pois a sacola deixada na calçada acabaria motivando reclamações da população. Também poderiam ser rasgadas por cachorros, esparramando lixo pela rua, até que fossem recolhidas por outro caminhão.

Ubirajara não concorda com a ideia do presidente da Cooperativa. Ele reforça que a solução passa pela educação ambiental e maior conscientização da população sobre a separação do lixo. E afirma que os caminhões da coleta são monitorados pela Prefeitura, por meio de GPS, o que possibilita saber se o roteiro está sendo seguido.

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