Durante 5 horas, a mulher foi agredida, violentada sexualmente e ameaçada de morte pelo ex-companheiro. Ela quer que seu caso sirva de exemplo para que outras mulheres não passem por situação semelhante.

Uma mulher foi agredida física e verbalmente, sofreu abuso sexual, foi mantida em cárcere privado e ainda ameaçada de morte pelo ex-companheiro. O caso ocorreu no domingo, 7, quando o homem invadiu a casa da vítima dizendo que aquele seria o dia em que ela morreria. Após 5 horas de tortura, a mulher conseguiu se desvencilhar do agressor e denunciá-lo para a polícia. Agora, ela quer que sua história ajude a evitar que outras mulheres passem pelo que ela enfrentou.

O pesadelo da vítima de 40 anos, que não quer ser identificada pelo nome, moradora da região da grande Timbaúva em Montenegro, começou por volta das 7h10min da manhã do último domingo. Ela relata que o ex-companheiro invadiu a casa dela querendo conversar. O homem voltava de uma festa e apresentava sinais de que poderia ter consumido drogas. “Ele estava fedendo e mastigava algo que não consegui identificar”, conta a mulher. Vendo que ele estava transtornado ela pediu para que fosse embora, mas isso não ocorreu. Aos poucos a situação ficou cada vez pior.

Ambos estavam separados há cerca de um ano, mas esporadicamente acabavam ficando juntos. Contudo, após ter sido agredida inúmeras vezes pelo companheiro, desta vez, a mulher não queria mais cair na conversa de seu algoz. “A cada ida e vinda ele prometia que ia mudar, mas não mudava. Eu dava chance, mas depois voltava tudo ao normal”, relata. Mesmo diante das negativas da companheira, ele não se deu por satisfeito e começou a ofendê-la verbalmente, em seguida teve início a agressão física. Depois de dar socos no olho e no rosto da vítima, chegou a cuidar dos ferimentos da mesma com gelo.

A tortura, no entanto, só estava começando. Ele, dez anos mais novo que a mulher, e com cerca de 30kg à mais que a vítima, sentou-se sobre o peito dela e disse que aquele seria o dia em que os dois morreriam. Depois disso, começou a executar atos de violência sexual, ele masturbou-se sobre o rosto da mulher e, posteriormente, consumou o estupro. A mulher conta que durante o ato foi submetida a uma série agressões perversas, impossíveis de serem relatadas. Como se não bastasse, ainda recebeu novas ameaças, “Ele disse que voltaria a minha casa todas as semanas e que faria tudo aquilo de novo”. O homem manteve a mulher trancada em casa até que a mesma cedesse às suas exigências. “Ele me fez dizer que o amava e que responderia as mensagens dele quando me mandasse. Eu entrei no jogo dele para poder me livrar”, detalha. O caso só teve fim após às 13h da tarde do domingo. Quando ele deixou a residência, ela pediu socorro para amigos que a levaram até a Delegacia da Mulher.

Mesmo com receio de se expor, a vítima quis contar sua história para que sirva de inspiração a outras mulheres que enfrentam situações semelhantes. “Ele me batia uma vez por mês. No último ano estávamos separados. Cada vez que ele vinha conversar, acabava fazendo alguma coisa”, lembra. Ambos se conheceram em 2014. No início a relação era quase perfeita, ele conseguiu conquistar a mulher e também a família dela. Mas, aos poucos as coisas foram mudando. A personalidade agressiva se intensificou com cenas de ciúmes e o uso de drogas tornou o sujeito um homem perigoso. Para manter o vício, ele chegou a roubar a própria companheira e quando ela descobria, ele à agredida para que não reclamasse.

Ainda com medo, ela relata que irá procurar ajuda médica para tentar superar o trauma. Além disso, não quer ficar mais sozinha. “Estou com muito medo. Eu não agüentava mais, cheguei a pedir para morrer”, desabafa. Segundo ela, já existem outros dois registros de Maria da Penha contra o homem, mas agora, ela garante que o relacionamento não terá volta e diz que quer vê-lo bem longe dela, de preferência, preso.

Até o fechamento da reportagem, o acusado não havia sido preso. A vítima solicitou medida protetiva contra o antigo namorado.

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