Distrito Industrial ainda possui 174 hectares distribuídos em 40 lotes, que são vendidos a preços subsidiados

São esperança de mais empregos para Montenegro

A expectativa para este ano é “superpositiva” no município, sob o aspecto da atração de novos investimentos e geração de empregos. Pelo menos é assim que o titular da Secretaria Municipal de Indústria, Comércio e Turismo (Smic), Elias Silva da Rosa, projeta 2018. Em alguns meses meses, um evento na Braskem, em Triunfo, vai apresentar um novo “movimento”, que beneficiará diretamente o Distrito Industrial de Montenegro e prevê abertura de vagas de nível operacional. Por enquanto, nenhum detalhe neste sentido pode ser divulgado.

Em março, Elias planeja descerrar a placa inaugural da Sala do Empreendedor, um local onde os empresários — desde os micro até os grandes — encontrarão o apoio do poder público. Além de boa vontade, o secretário promete agilidade nos trâmites burocráticos. “Queremos que as pequenas e microempresas consigam emitir seu alvará em 24 horas”, anuncia. Leia a entrevista:

SOBRE 2018
O que o senhor espera de 2018, enquanto titular da Smic?

TERMINAL Santa Clara, que fica junto ao polo, torna Montenegro e região mais competitivo pelas facilidades logísticas

Estamos com uma visão superpositiva para o município em 2018. Estamos em um novo momento. Empresas vêm nos procurando. A CTIL é um exemplo. Vínhamos conversando desde setembro-outubro do ano passado. É uma importante empresa existente desde 1922 que vem para nos apoiar na cadeia produtiva, porque ela fornece serviços para toda aquela empresa que é exportadora. A gente possui aqui o Terminal Santa Clara, que tem uma viagem [ao Porto de Rio Grande] por semana, mas a previsão é aumentar logo com a vinda da CTIL, uma importante empresa de logística. O principal cliente dela na região é a John Deere. Enquanto Administração Municipal e Secretaria da Indústria e Comércio, a gente tem como propósito para este ano repensar o desenvolvimento econômico de Montenegro a partir do Distrito Industrial. Já temos um lançamento para logo, num trabalho em conjunto com o Sindicato das Indústrias Químicas, a Braskem e o Comitê de Fomento Industrial do Polo. Temos trabalhado aliados para repensar o Distrito Industrial, dando a ele um novo enfoque. Trazer empresas com a mesma vocação ao distrito para que possam se complementar entre si naquele espaço, visando um futuro cluster. Temos que pensar como isso é feito em outros países e é assim que funciona, ou seja, se reúnem em um mesmo espaço empresas de uma mesma vocação, com serviços que se complementam. Então, vejo que temos um futuro promissor.

Como está o Distrito Industrial de Montenegro. Qual o nível de ocupação atual, quantas empresas e quantos lotes disponíveis?
Atualmente, nós possuímos 20 lotes ocupados. E quanto à área disponível, possuíamos 174 hectares distribuídos em 40 lotes. Até teria mais, mas eles não estão liberados pelo governo do Estado. Há bastante espaço para Montenegro crescer a partir de seu Distrito Industrial. Estamos vislumbrando um 2018 superpositivo.

Acredita que irá se confirmar algum novo investimento no Distrito Industrial este ano?
Sim. Temos essa expectativa e a CTIL é um exemplo. Como ela tem urgência de instalar-se, ela alugou pavilhão, mas a tendência é que venha para o Distrito, adquirindo um lote. Mas esse movimento com o Sindiquim, o Cofip e a Braskem que a gente irá lançar em breve é algo que Montenegro estava esperando, no que se refere à geração de empregos e instalação de empresas. Desse evento deve participar o secretário de Estado, Márcio Biolchi, e será na Braskem. Estaremos lá para falar do projeto que a gente tem para esse espaço.

CENTRO DE ENSINO
Ainda na época em que o prefeito Kadu Müller era o secretário da Indústria e Comércio, havia um projeto para a construção de um centro de ensino junto ao Polo Petroquímico. Houve algum avanço neste sentido?
Trata-se de um prédio que é uma contrapartida de uma empresa para Montenegro. Será um espaço físico para atividades de treinamento de mão de obra. Estamos verificando o status junto ao governo estadual, mas ele casa com o nosso propósito maior projetado para o Distrito Industrial, conforme citado anteriormente. Gostaríamos que o Estado liberasse a construção neste ano.

DIFERENCIAL
O senhor cita bastante o Distrito Industrial, mas até que ponto ele é uma estratégia para Montenegro conquistar novos empreendimentos? Ao negociar com uma empresa, esse fator tem bastante peso?
É um facilitador, sem dúvida. Há uns dois meses estive no Fórum de Desenvolvimento Econômico, com todos os secretários de desenvolvimento econômico do Estado, e lá tivemos uma apresentação do secretário estadual de Desenvolvimento. Vimos que, quando ele apresenta as oportunidades do Estado, os pontos fortes são os distritos industriais e é onde entra Montenegro. Ter um distrito industrial na cidade é extremamente importante. É uma grande oportunidade, porque os lotes têm preço subsidiado pelo Estado. Assim, os preços [da terra] ficam abaixo do praticado no mercado. Uma empresa, quando vem se instalar, ela procura essas oportunidades. Outro ponto importante é que temos uma lei de incentivo na cidade. Ela nos dá subsídios para negociar com as empresas maiores. É um ponto bem positivo. A lei é aberta, então a gente consegue negociar terraplanagem e outros tipos de incentivo, sempre conforme um projeto de lei submetido à Câmara de Vereadores. Sempre tem uma contrapartida por parte da empresa que está se instalando.

FÓRUM
Além deste otimismo com relação ao Distrito Industrial de Montenegro, o que mais se antevê para Montenegro este ano, do ponto de vista da atividade econômica?
Vale ressaltar que tivemos lançados recentemente os últimos dados de exportação e, neste sentido, a JBS é uma importante empresa, muito sólida, no município. Até estivemos em visita de cortesia recente e eles têm investimentos programados para a unidade de Montenegro com o objetivo de aumentar a produção, ainda neste ano. Além disto, temos previsto para agosto o Fórum de Desenvolvimento Econômico, envolvendo a Prefeitura de Montenegro, a Prefeitura de Triunfo e o Cofip para debater aqui o desenvolvimento na cidade. Ainda estamos formulando o evento, mas a proposta será discutir o planejamento de médio e longo prazo para Montenegro e região. Outra área em que queremos entrar é a de startups, porque é uma área ainda muito incipiente em Montenegro. Temos uma empresa assim destacada fora daqui, a Dobra. Para esta área de startups temos de ter mais atenção. Estamos sentando aí para ver alguma coisa neste sentido.

EMPREENDEDORISMO
De que forma a Smic pode estimular ainda mais o empreendedorismo?
Estamos trabalhando na implantação da Sala do Empreendedor. Será um espaço aonde o empreendedor vem para abrir o processo do alvará, numa espécie de local onde se resolve todos os seus problemas. Nosso objetivo é implantá-la em março. Agora estamos na fase de rever processos internos para implantar a sala 100%, possibilitando um lugar onde o empreendedor possa tirar todas as suas dúvidas. Também pensamos para esse espaço uma forma de dar um apoio maior para o MEI [microempreendedor individual]. Não digo uma consultoria, mas um apoio. Hoje o MEI vai ao escritório de contabilidade, abre seu negócio, tem seu apoio, mas a gente quer ver um apoio da associação de contabilistas para formatar algo que permita trazê-los para a Sala do Empreendedor. Enfim, um trabalho de mais atenção ao MEI, que mostra números ascendentes na cidade. Estamos vendo as melhores práticas em outros municípios para implantarmos aqui. Sabemos que Farroupilha e Lajeado são cidades que estão se destacando no que se refere à emissão de alvará, pela rapidez. Leva em torno de 24 horas para esse documento ser emitido. Queremos chegar neste nível e já existem ferramentas para isso. Vamos ver se conseguimos isto para março. De dezembro a fevereiro, nas quartas-feiras pela manhã, já estamos fazendo apenas expediente interno para repensarmos estas questões. Atenderemos desde as micro até as pequenas empresas, inclusive com um espaço reservado, se necessário.

SEM CRISE
A crise por que passa a Prefeitura de Montenegro, em alguma medida, dificulta a atração de investimentos?
Acredito que não. Aliás, nos dá mais vontade de correr atrás. A Secretaria da Indústria e Comércio tem esse ponto positivo, porque o que mais a gente precisa fazer aqui é gastar sapato para captar novas empresas. Temos um movimento planejado através das câmaras internacionais de comércio, que é onde ocorre a interface com as empresas que vislumbram vir para o Estado. Meses atrás, estive no Encontro Econômico Brasil-Alemanha, na Fiergs, e foi muito positivo para fazer contatos e conhecer pessoas quem fazem interface com investidores. É extremamente importante participar desses momentos, se mostrar presente, porque pode render futuras reuniões. Quando negociamos a vinda de uma nova empresa, formatamos um acordo dentro da realidade financeira do município. Fazemos uma análise interna para ver o que a Prefeitura pode oferecer.

Falta muito emprego no município?
Empregos gerados na cidade, pelo que percebi do Caged, no ano de 2017, foram 5.732 novas vagas. Mas Montenegro não está numa ilha, separado do resto. O Brasil ainda tem alto índice de desemprego e aqui não é diferente. Cabe a nós correr atrás de novos investimentos, facilitar o ambiente empreendedor e assim gerar mais empregos. Um dos movimentos será no polo petroquímico de Triunfo, que abrirá novas vagas de nível operacional. A ideia é atrair empresas para gerar empregos de todos os níveis, não só superior ou técnico. Já temos a confirmação de que virão novas empresas.

CONFIANÇA
Como estão os movimentos por parte dos empreendedores que vêm a Montenegro estudar um investimento? No seu ponto de vista, o mercado está mais confiante?
Acho que sim. Temos recebido a visita de novos investidores. Não temos o hábito de divulgar essas atividades antes de os projetos estarem confirmados. Recebemos uma visita a cada duas semanas, em média. São pessoas que vêm conhecer Montenegro e as suas possibilidades, o Distrito Industrial. Temos sentido isto de outubro para cá. Houve uma melhora. Esse movimento está maior. O Brasil já saiu um pouco da recessão, então o ambiente tem se encaminhado para uma situação melhor para investimentos.

MICROEMPRESAS
As MPEs são fundamentais para a economia brasileira. O que o Município tem feito para incentivá-las? Elas têm alguma vantagem nas licitações, conforme a Lei Geral das MPE?
Quanto às MPEs, um grande parceiro nosso é o Sebrae. Temos uma relação super próxima e temos participado de diversos eventos juntos. Estive num fórum do Sebrae em Santa Maria justamente para discutir esse nicho da pequena empresa. Temos estudado as melhores práticas das cidades para melhorarmos o ambiente para as micro e pequenas empresas. Temos em vigência na cidade a Lei Geral das MPEs, que permite uma diferenciação a elas numa licitação. Se forem vencedoras do certame, as micro e pequenas têm cinco dias úteis para regularização da documentação fiscal e trabalhista, caso possuam restrições. Em caso de empate ficto, fica como critério de desempate preferência de contratação para as MPEs. Também está prevista em lei a realização de licitação exclusiva para itens de contratação cujo valor seja de até R$ 80 mil.

TRANSPORTE FLUVIAL
A mais recente empresa confirmada para Montenegro, CTIL Logística, vai operar o Terminal Santa Clara. Como é que este modal funciona e de que maneira ele facilita a vida das empresas?
A CTIL vai atender a toda a cadeia exportadora, porque ela oferece serviço de contêiner, inclusive contêineres químicos. O terminal tem uma barcaça operada a partir do terminal Santa Clara, no Polo Petroquímico [faz a conexão com o Porto de Rio Grande via Rio Jacuí], através do Tecon. É uma viagem por semana a Rio Grande, mas a tendência agora é aumentar esse número de viagens, desafogando o tráfego rodoviário. Em vez de caminhões, usa-se hidrovia. É uma vantagem que o município oferece. Temos o Distrito Industrial, o terminal hidroviário e operadores que oferecem contêineres para as empresas. Esta é uma situação favorável, porque estamos bem localizados, perto da Capital, perto da Serra. Estamos empenhados para um futuro promissor.

REFORMA
O governo conseguiu aprovar a reforma trabalhista. O senhor acha que isto poderá incentivar os empreendedores brasileiros a criarem mais empregos a partir deste ano. Também acredita que eles farão investimentos para ampliar suas empresas?
Acredito que sim, porque a gente vê que muitos empresários estavam aguardando a aprovação da reforma trabalhista para abrir novos postos de trabalho. Acho que a legislação precisava, sim, ser atualizada. É, sim, um fator que vai gerar novos postos de emprego num curto espaço de tempo. Temos uma visão otimista.

ATRATIVOS DE MONTENEGRO
— Distante 40 minutos de Porto Alegre, o município diferencia-se por sua localização privilegiada, de fácil acesso a outros centros regionais através de rodovias federais e estaduais. A cidade também é servida pelo ramal ferroviário EF-116 Tronco Principal Sul, que liga Porto Alegre ao centro do país, e que conta também com a navegação pelo Rio Caí, que corre no sentido Norte-Sul por cerca de 40 quilômetros junto à área do município, desaguando no Rio Jacuí.

— Conforme a Secretaria de Indústria e Comércio, o Distrito Industrial de Montenegro foi criado na década de 90. Tem uma área de 697 hectares, que fica próxima ao Polo Petroquímico de Triunfo e a cerca de 20 quilômetros do Centro de Montenegro. Fica dividido em 66 hectares de área de preservação permanente, 128 hectares de áreas públicas e 458 hectares destinados a lotes industriais.
— O distrito possui infraestrutura completa, ou seja, arruamento pavimentado, redes elétricas em alta tensão de 13,8 kV e 69 kV, rede de telefonia fixa e sinal para telefonia móvel, rede de distribuição de água potável, rede de distribuição de gás natural e proximidade ao porto fluvial Santa Clara, além de acessos rodoviários (BR-386, RS-124 e TF-010) e ferroviário (ramal da ALL).

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